UTI – Parte V (últimaaaaa)! – A tão esperada alta

Duas semanas depois, aqui estou eu.
Dei uma sumida, pois a semana passada foi um tanto quanto triste para mim e para a minha família, já que na mesma semana perdemos 2 entes queridíssimos e precisei viajar as pressas.

Aquela situação: Difícil de entender, difícil de aceitar, embora todos digam que lá na frente teremos uma explicação para isso.

Finalmente chegou o tão esperado dia da alta hospitalar do Pedro.
Uma alta extremamente conturbada, kkkkkkkk, era esperado mas não era.
No dia seguinte aos exames, os resultados sairiam, consequentemente, a alta seria na quarta feira!!! Uhuuuuu!!!
Avisamos só a Lúcia (minha cunhada), pois ficaríamos na casa dela, mais ninguém, queríamos fazer surpresa pra minha sogra.

Os resultados saíram e me informaram que o neuro pediatra queria conversar comigo e que eu fosse lá para a UTI as 10:30 para falar com o médico.
Puta merda!!! O que foi dessa vez?
Não disse nada com nada claramente, ele se limitou a dizer que encontrou uma anomalia no resultado da ressonância magnética que ele ainda não tinha certeza o que era, mas que estava encaminhando tudo para o neuro cirurgião.
Mas para que eu ficasse tranquila.
Porra!!! Como assim???
Agora o outro tormento: QUANDO o neuro cirurgião iria até lá???
Fui embora frustrada, pois já sabia que no dia seguinte, não sairia a alta do Pedro.

No dia seguinte, fui cedinho como de costume e a enfermeira me pediu que eu estivesse lá ás 15:30, pois o neuro cirurgião estaria lá naquele horário para falar comigo.
Ok, fui ás 15:00 para amamentar e lá fiquei aguardando pelo médico.
Deu 16:00, o Ednaldo chegou para visitar o Pedro e ficou lá comigo, aguardando pelo médico.
17:00, 18:00 e nada!!! As 18:00 o Ednaldo saiu da sala (pois era o horário da amamentação) e aproveitou pra comer alguma coisa, as 19:00 ele voltou e nada do médico.

papai
Daí ele ficou lá aguardando e eu saí para jantar.
19:30, 20:00 e nadaaaaaaa!!!
Toda hora a enfermeira vinha me dizer: -Calma que ele está a caminho.
Quando deu 20:30 ela me disse: -O celular dele está caindo direto na caixa postal, mas ele disse que estava a caminho.
Quando deu 20:50, eu me stressei, estava dando a hora de amamentar de novo, o Ednaldo teria que sair da sala e nada do médico chegar.
Em 23 dias de UTI, aquela tinha sido a primeira vez que eu tinha perdido a cabeça.
Chamei a enfermeira e perguntei né, se ele viria mesmo, afinal de contas, eu estava esperando ele chegar desde as 15:30!!!
E ela toda delicada me respondeu: -Ele disse que está vindo…
Eu perguntei um tanto quanto alterada: -Tá vindo montado num jegue? Já são 21:00 e eu estou aguardando desde as 15:30!!!
E ela na maior paciência e educação me respondeu: -Vou tentar ligar mais uma vez, se ele não me atender, você vai pra casa descansar…

E ela saiu e voltou em seguida: -Ele chegou!!!
Poooooooorra!! Finalmente, mas justamente na hora em que ele chegou, o Ednaldo teve que sair pois era o horário da amamentação, consequentemente não conversou com o médico.

Esperei todo esse tempo, nisso ele chegou e foi lá mostrar os exames do Pedro para os médicos de plantão e nisso formou uma roda, entre médicos e enfermeiras.
Pensei: -Fudeu!!
Ednaldo assistindo do lado de fora, pensando a mesma coisa. (Depois eu soube pela enfermeira que eu dei um coice, que na verdade ele estava dando uma aula para eles, baseado nos exames do Pedro)
E finalmente ele veio conversar comigo.

Dr Sergio Cavalheiros, um médico do caralho!!! Sentou ao meu lado (Pedro estava mamando), examinou o Pedro, deu uns croques na cabecinha dele, mediu o tamanho da cabeça, colocou o estetoscópio na cabeça…
Disse que estava tudo dentro das normalidades, então ele veio me explicar o que o Pedro tinha.

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Ele me disse que Pedro tinha uma “Fístula Dural Artério Venosa”.
Sim, ele percebeu a minha cara de chuchu e explicou o que era na minha lingua!
Disse que Pedro veio com um defeitinho de fábrica, que se ele não tivesse ficado na UTI e não tivesse feito a ressonância, ficaríamos sem saber desse diagnóstico, mas que futuramente de repente jogando futebol, ele poderia sofrer um AVC por exemplo.
Ele me explicou tinha uma artéria que estava se comunicando com uma veia, e isso não poderia acontecer.
Então ele disse que a cirurgia era simples, via cateterismo, ele ia apenas “jogar uma colinha” para que essa comunicação se fechasse! Mas que eu não pensasse nisso por ora, pois a cirurgia seria feita somente depois que ele completasse 1 ano e que ficaria ao meu critério, fazer a cirurgia com ele ou não.
Minha primeira pergunta: -Dr… o Sr aceita convênio?
E ele na maior tranquilidade e sorriso no rosto me respondeu: -Mãe, fica tranquila! Se você ligar no consultório, vão dizer que não, mas a gente  aceita tudo!!!
Pensa num alívio
Então ele me disse: -Por mim esse guerreiro já está de alta!!! Agora é só falar com os pediatras!

Saímos do hospital era umas 22:30, felizes da vida!!!
Mas eu sinceramente não esperava a alta para o dia seguinte. Ainda dependia de pediatra e tal, e já eram 22:30 né???

A primeira pessoa da família a pegar o Pedro no colo
No dia seguinte, nada de falarem em termos alta.
Eu já estava conformada que sairia só na sexta feira!
Foi quando deu 11:00 a Pediatra veio falar comigo e dizer que Pedro teria alta naquele dia!
A pediatra pediu que eu estivesse na UTI ás 12:30 para irmos embora!
Foi tudo muito corrido, fomos praticamente expulsos do hospital.

 

 

 

 

Conhecendo os padrinhos

Ao mesmo tempo que eu estava feliz, entrei em desespero.
Corri comprar chocolates para as mães da salinha da UTI, chocolates para os médicos e enfermeiras, escrever a minha cartinha da minha trajetória para deixar na pasta lá da salinha das mães.
Foi tudo muito corrido, não consegui me despedir pessoalmente das colegas de UTI, das enfermeiras da ala 1 que cuidaram do Pedro por tanto tempo, dos médicos…

Conhecendo os primos
As 12:30 o Ednaldo chegou e lá ficamos, prontos para sairmos.
Pedro ainda tomou vacina antes de sair, sei que era troca de horário de almoço das enfermeiras, eram 2 bebês para saírem na mesma hora, foi um caos.
Só sei que eram 14:00 em ponto quando saímos do hospital.
A correria foi tanta que as enfermeiras esqueceram de me entregar os remédios dele, estava na hora de tomar e por serem controlados, não dava pra comprar na farmácia!!! kkkkkkkkkkkkk
Pensa num desespero!!!
Maridou deixou a gente em casa e voltou pro hospital para buscar o remédio.

 

titiosChegamos em casa, quando abrimos a porta da sala, minha sogra quase caiu dura!
Ahhhhhhhhhhhh, daí era só alegria!!!

A noite os tios chegaram, os futuros padrinhos (que até então nem nós sabíamos que ele seriam os padrinhos) perguntaram se podiam ir até lá para conhecer o Pedro…

Enfim, as fotos dizem tudo né???
Acabou a minha trajetória na UTI, não foi fácil…

Fica para um próximo post, sobre as minhas observações, o que eu passei de fato, o que eu senti, o apoio que eu tive dos amigos e familiares…

 

 

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