UTI Parte II – A recuperação pós parto e a expectativa se o Pedro acordaria

Continuando…

O meu tormento começou depois que eu tive alta, devido a falta de repouso.
Sim, meu parto foi normal mas um repouso é preciso né??? Quarentena!
Mas como eu já disse, uma mãe de UTI não consegue sequer ter esse cuidado, pois tem uma pessoinha que apesar de estar sendo muito bem amparado pelos médicos e sua equipe, precisa de nós!!!

E aí que aquele corre corre nos corredores do hospital, ou então sentada “descansando” na sala das mães, fez com que o meu corte gritasse!!
Era uma dor insuportável… uma dor que eu não senti nem mesmo ali na hora do parto.

Pra quem não sabe, ser mãe de UTI não é ficar ali chorando o tempo todo ao lado da encubadora.
Temos horário pra tudo!!! Não me recordo como era exatamente, mas era mais ou menos assim:

09:00 – Horário da primeira ordenha, para o leite “subir” para o seu filho tomar ou então, a hora de ir para UTI amamentar.
10:00 – Horário da visita dos médicos aos bebês para conversar com os pais e horário de visita dos papais também.
11:00 – Horário do almoço
12:00 – Hora da ordenha! (Ordenha a cada 3 horas), ou então ir para a UTI amamentar.
15:00 – Hora da ordenha ou amamentar
16:00 – Horário de visita dos médicos e dos papais.
17:30 – Horário da janta (nem lembro
18:00 – Hora da ordenha ou amamentar
21:00 – Hora da última ordenha.
Quem quisesse ainda podia continuar amamentando ou ordenhando a cada 3 horas depois das 21:00.

Isso porque essa era a minha rotina até eu começar a amamentar o Pedro, depois tinha que me dividir entre ordenhar e amamentar… ficou mais corrido ainda!!!
O lactário ficava no Térreo, junto com a salinha de descanso das mães e a UTI no sexto andar e o refeitório no segundo andar.
Não preciso dizer o quão cansativo era né???

Continuando sobre a minha dor insuportável.
Era muita dor, só sei que chegou a noite eu não conseguia nem andar.
Isso já foi no quarto dia depois do Pedro ter nascido.
Liguei para o meu médico e como eu ainda estava lá na Pro Matre, ele pediu que eu passasse pelo pronto atendimento.
A médica precisava fazer o maldito exame de toque, mas eu chorava desesperadamente para ela nem chegar perto.
Daí meu médico foi claro: -Tem que deixar ela examinar.
Não tinha nada, tava tudo bonitinho, nenhuma infecção, porque eu estava sentindo aquela dor???
Daí soro e tramal na veia!!!
Ah! E uma lista de remédios para comprar.

Cheguei na casa da Lúcia esgotada! (nesse período de internação ficamos hospedados na casa da minha cunhada para ficar menos longe do hospital).
Depois da medicação, só me restou tomar banho e dormir.
No quinto dia do pós parto, fui parar no pronto atendimento de novo e eu percebia que durante o dia eu ficava bem, mas a noite piorava.

remédiosMas eu tinha que levar em consideração que eu estava há 5 dias sem cagar!!!
Não tomei o suco laxativo que o hospital trazia pra mim nas refeições e assim foi indo, pois achei que com o passar do tempo, seria mais fácil, pois eu estava com medo daqueles pontos.
Isso era uma segunda feira a noite. E dá lhe medicação.
Era uma medicação muito forte, tão forte que saí do hospital virando cambalhotas de tão boa que eu fiquei.
Mas no dia seguinte a mesma coisa, liguei pro meu médico e pedi o mesmo remédio da noite anterior, e ele: -Tá louca? Esse remédio só pode tomar duas vezes ao ano!!

Se liguem, além das medicações na veia, a quantidade de remédios que eu tomei por conta do belíssimo pós parto… Parto normal.

Meu, então eu fui ao hospital, sofri feito condenada de dor, andava com dificuldades e a barriga crescendo porque eu não cagava.
O dia foi passando e eu ia só pra ordenhar mesmo, porque a cada visita do médico, eles não tinham muito o que falar, apenas que tínhamos que aguardar ele acordar e que em no máximo dois dias ele TERIA que acordar.
Foi então que eu pensei friamente e tomei uma decisão: Não vou ao hospital amanhã!! Ficarei em casa de repouso, pois quando ele acordar e eu realmente precisar amamentar, eu preciso estar boa!!!

E assim fiquei em casa, o sexto e o sétimo dia.
Nos horários de visita em que o pai podia entrar, o Ednaldo ia e me ligava, foi quando no segundo dia que fiquei em casa, ele me liga chorando: -Mor, ele acordou…
E eu meio que sem entender nada falei: -O que???
Ele: -O neném, abriu o olho pra mim, tava lá acordadinho!!

Gente, que felicidade!!! Vocês não tem noção.
E não é que no dia seguinte, eu já estava melhor? Já conseguia sentar sem muitas dificuldades, depois que tudo passou, analisando friamente, eu mesmo descobri porque eu sentia tanta dor.
Eu ficava segurando pra ir ao banheiro, pois o fato de sentar me fazia sentir dor, mas conforme minha bexiga ia enchendo, mais o intestino, acabava pressionando em algum pontinho meu que tava “pegando”, pois depois que eu ia ao banheiro, a dor diminuía.

No dia seguinte fui ao hospital, mas não vi o Pedro acordado, ainda era muito remédio que ele tomava.
Pois eu até esqueci de mencionar, mas ele teve convulsão ao nascer, então além de todo o procedimento, ele estava a base de medicamento anticonvulsivo.
Mas o que me deixava feliz era que ele estava se alimentando do meu leite por sonda, mas começou no quarto dia (depois do término do procedimento de hipotermia) com 5ml de leite, no quinto dia foi para 10ml e no sexto dia, já estava tomando 20ml de leite.

Nesse meio tempo ele estava entubado, foi extubado, fiquei feliz da vida, mas daí um dia quando cheguei a UTI ele estava entubado novamente pois ainda apresentava dificuldades para respirar.
UTI é teste de resistência e teste cardíaco ao papai e a mamãe viu.

primeira fotoEle ter aberto os olhos já tinha sido mais uma vitória.
Os dias foram passando, no seu nono dia de vida, eu me senti mais á vontade de postar uma foto dele para matar a curiosidade de todos, pois ele estava apenas com a sonda, já não estava mais entubado.

Embora alguns achassem exagero de eu ficar publicando o que acontecia com o Pedro no Facebook, era a forma que eu encontrava de deixar todos cientes, já que eu não estava a todo momento com o celular, era tanta gente mandando orações, energias positivas, então era o mínimo que eu podia fazer né.

Bom… por hoje é isso…
Para o próximo post, só alegrias, evoluções, médicos já com outra fisionomia ao conversar com a gente.
Mas eu vou falar, não é fácil!!!

 

 

 

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