Maternidade em tempo integral

Oi gente!!!
Tá difícil a atualização com mais frequência, minha vida tá de cabeça pra baixo, uma correria sem fim!
2015 horroroso que não acaba nunca né? Quando a gente acha que não tem mais o que acontecer de ruim, ainda acontece! Ave maria!

Mas vamos lá, hoje vamos falar do dia em que eu tomei a decisão mais importante e difícil da minha vida.

E aí lá vem mais uma da série: Pagando a língua.
Porque pagando a língua?
Porque eu sempre achei um absurdo uma mulher deixar sua independência de lado, sua vida profissional, para ficar em casa cuidando de filhos.
Pra mim isso não fazia sentido nenhum.
Claro que não, afinal de contas, eu não tinha filhos né?

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Até que Pedro chegou com todas aquelas complicações que eu já contei aqui pra vocês.
Foi quando nas consultas ao neurologista e neurocirurgião, ambos solicitaram que o Pedro fizesse fisioterapia.
Aparentemente ele não tinha nada, seria mais preventivo, para observarmos o desenvolvimento dele, se depois de tudo, ficaria alguma sequela ou não e até mesmo para caso aconteça futuramente de aparecer uma sequela, não dizer: Se tivesse feito fisioterapia, isso não teria acontecido.

Enfim, minha licença maternidade terminaria em Abril de 2014.

IMG_0416Pedro começou sua fisioterapia em Fevereiro, daí eram consultas com pediatra, neurologista, neurocirurgião, exames, medicamentos controlados…
O tempo foi passando, eu precisava acompanhar de perto tudo isso, não podia terceirizar uma responsabilidade como essa depois de tudo que tinha acontecido.

Marido tinha acabado de mudar de emprego, em uma condição legal, que daria para segurar a onda sozinho, foi quando sentamos e conversamos em como proceder com o Pedro.

Creche? (Fiz a matrícula em Fevereiro e tinha que esperar sair vaga), escolinha particular, avó, o que faríamos?
Foi quando eu perguntei se ele realmente conseguiria segurar a onda sozinho, ele disse que sim.
Então, eu disse que deixaria de trabalhar para ficar com o Pedro.
Se Pedro tivesse nascido sem problema algum no parto, ou ia pra escolinha ou ficaria com a avó, ou os dois.
Mas naquele momento ele ainda precisava dos meus cuidados, precisava de inúmeras observações que não deveriam ser passada para terceiros naquele momento.

Iphone 1820Pra mim foi bem difícil tomar essa decisão, pois nunca passou pela minha cabeça ficar dependendo financeiramente de alguém.
Deixar minha vida profissional de lado, afinal de contas, eu estava em uma empresa que eu gostava muito, trabalhava com pessoas bacanas.
No primeiro momento, eles me deram  mais um mês, para que eu pudesse amamentar o Pedro até os 6 meses, pois a amamentação era importante para ele, pois o movimento de sucção do seio, era uma forma dele se exercitar, podia dizer que fazia parte da fisioterapia.
Porém não foi o suficiente, até que chegou o dia de eu conversar definitivamente com o chefe.

ChefeGente como foi difícil.
Eu tinha todo um discurso pra falar, Edu foi um chefe extraordinário, costumo dizer até que chefe como ele, eu não encontro mais em lugar nenhum!
E nem vem me chamar de puxa saco, porque puxar saco não faz meu gênero, e a essa altura do campeonato, ia puxar o saco pra que? kkkkkkkk
Mas a única coisa que eu consegui falar na hora foi: -Edu, eu não volto mais pra empresa.
Ele não esperava, já tinha até planos e projetos para o meu retorno, ele ainda sugeriu algumas alternativas, mas não seria justo também com a empresa.
Quando saí da sala dele, que fui me despedir do pessoal… foi um choque.
Ninguém esperava!

Aquele dia, fui a empresa com o Pedro, enquanto eu falava com o chefe ele ficou com o pessoal.
Peguei o Pedro e saí de lá triste, mas quando entrei no carro, foi que a ficha caiu, embora eu tenha tomado essa decisão há uns 2 meses antes.
As lágrimas começaram a cair, um filme começou a passar na minha cabeça, da minha trajetória profissional, por tudo que eu já tinha vivido desde quando comecei a trabalhar.
A partir daquele momento era definitivo, eu não tinha mais um emprego… era então, mãe em tempo integral.

Muita gente (principalmente familiares), me olharam torto, acharam um absurdo, ao mesmo tempo tive apoio de muita gente, principalmente dos amigos… Ahhhh os amigos…

IMG_3452Se eu me arrependo?
Jamais!!! Pois eu pude acompanhar bem de perto o desenvolvimento do Pedro, coisa que se eu estivesse trabalhando, nunca que eu conseguiria acompanhar.
Acompanharia somente por relatórios.
Nesse meio tempo ele conseguiu uma vaga na creche, (assunto para um próximo post), é impressionante, mas para quem quase teve uma paralisia cerebral, hoje com 1 ano e 10 meses, não apresentou UMA sequela!!!

Foi um ano de fisioterapia, a Nara vinha mas ele não deixava ela fazer nada, kkkkkkkkkk
Mas as sessões de fisioterapia com a Nara foram imprescindíveis, até que o neurologista falou: -Pode parar com a fisioterapia, porque esse cara aqui tá melhor que eu!!! Esse cara aqui tem o corpo fechado!

Uma grande e velha amiga minha, a Jana, veio em casa há algumas semanas e ela é fisioterapeuta.
Ela tava impressionada, pois como fisioterapeuta, sabia que o que ele passou no nascimento era gravíssimo e ela ainda me disse que cuidou de crianças que teve o mesmo problema que o Pedro e que ficou coisa mínima de sequela, quase imperceptível, mas ficou, e que o Pedro não tinha NADA, era como se não tivesse passado por nada daquilo.

Um exemplo está aí neste vídeo, sim, ele demorou para andar, mas os médicos disseram que não era nenhum atraso motor.
Mas ele engatinhava muito rápido e com muita segurança, portanto, andar pra ele não era interessante.
Ele deu seus primeiros passos sozinho com 1 ano e 5 meses!


IMG_1035Então assim, não foi fácil deixar tudo pra trás, mas ao mesmo tempo, não tem dinheiro que pague essa recuperação do Pedro.
Se eu continuasse trabalhando, poderia ter desenvolvido do mesmo jeito, sim, poderia… mas não me arrependo em momento nenhum por ter feito isso.
Se ele vai reconhecer isso futuramente? Não sei, pode ser que sim, pode ser que não, mas não importa.
Fiz o que o meu coração mandou, vejo que foi a melhor coisa que eu fiz!
E agora tá aí o meu sequeladinho, cada dia com uma novidade, fazendo muita arte, muita mal criação, enchendo papai e mamãe de orgulho e alegria!