Parto Normal ou Cesárea… Qual foi a minha escolha?

Desde que me entendo por gente, mesmo nunca pensando em ter filhos, nunca passou pela minha cabeça o parto normal.
Os meses foram passando e o médico me dizendo que deu poderia fazer o parto normal tranquilamente e ainda fez uma observação: -Cris, eu sei fazer parto normal viu???
HAHAHAHAHAHAHAHAHA, nunca passou pela minha cabeça isso, se o médico sabe ou não sabe.
Era uma questão de escolhas mesmo.

Eu sei que no final da gravidez, por volta de 33 semanas, fui algumas vezes pro hospital, todas elas achando que seria aquele dia!!!
Inicialmente, meu parto estava previsto para até o dia 07/12.
Depois, mudou para o dia 23/11.
Por fim, batemos o martelo, faríamos a cirurgia no dia 18/11.
Até que no dia 08/11 eu passei mal, nem lembro o que havia acontecido, que eu fui pro hospital e nós estávamos convencidos que seria naquele dia.

E então o médico entrou e perguntou: -Você está bem, o bebê também, já falei com seu médico e vou te liberar! Não vai nascer hoje. Você quer parto normal ou…
Eu: -Cesárea!!
Ele me olhou meio de lado e disse: -Não sei não heim mãe, do jeito que tá, tem tudo pra ser parto normal!
Eu: -Ai não… essa mulher aí ao lado me assustou
Ele saiu e a enfermeira me falou: -Seguinte, orientais são bem mais resistente a dores, então se você sentir o mínimo de cólica já corre pro hospital. Se tiver trânsito, chama a polícia que a viatura vai abrindo o caminho pra você.

Iphone 1115No dia seguinte, participei do chá de fraldas do Raul, comi feito louca (era churrasco).
No domingo eu tinha um outro chá de fraldas, mas o calor era insuportável, eu com aquela barriga…
Fiquei em casa o dia todo, andando pelada pela casa, fechei todas as janelas pra não entrar nenhum raio de sol que pudesse esquentar qualquer coisa e fiquei deitada na cama, no escuro.

 

A noite, eu tava empanturrada do churrasco do chá de fraldas do Raul, fazia pelo menos uma semana que eu não cagava.
Fui lá e tomei 2 colheres de Tamarine (devidamente orientada pelo médico no começo da gravidez).
Não dormi de madrugada e desabafei no face:

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Por volta de 4:30 da manhã, senti uma colicazinha e fui ao banheiro. Que alívio, o Tamarine estava fazendo efeito.
Ednaldo acordou umas 06:00 pra ir trabalhar e nisso eu já tinha perdido as contas de quantas vezes havia ido ao banheiro.
Lembrei da enfermeira me falando sobre a cólica, mas não quis falar nada pro Ednaldo porque ele já tinha faltado várias vezes ao trabalho por conta dos alarmes falsos.

Quando deu umas 11:00 o Dr Alexandre viu o meu desabafo no face, me ligou e falou: -Pensa rápido. Quer fazer a cirurgia hoje?
Não pensei duas vezes e respondi: -QUERO!!!
Então ele me orientou a tomar meu último copo de água e entrar em jejum e já ir para o hospital.
Daí eu falei: -Eu estou com um pouco e cólica!
Ele: -Tudo bem… vai pro hospital e lá conversamos.

Gente que desespero.
O Tamarine atrapalhou tudo, pois eu estava em trabalho de parto mas achei que era o efeito do laxante!!!!

Iphone 1136Chegamos ao hospital, fui andando normalmente e o Ednaldo foi estacionar o carro.
Passei pela recepção e expliquei a situação
Fui direto pra emergência sem fazer ficha nenhuma.
Então vieram fazer o exame de toque e a enfermeira gritou: -Dilatação total!
Quando vi, tinha uma tirando meu sapato, outra meu relógio, outra minha roupa (sim, tinha uma galera me rodeando) e já me colocando o jaleco e já me levando pro centro cirúrgico.
Encontrei meu marido quase na porta do elevador, subimos eu, enfermeiras, médico e o Ednaldo.
Eu chorava e implorava pela anestesia.

Não, não dava tempo do meu médico chegar e o médico que me atendeu na sexta feira dizendo que as chances de eu ter parto normal eram grandes, iria fazer o meu parto

Chegando no centro cirúrgico na hora de passar pra maca, a enfermeira me fala: -Vai devagarzinho se não o bebê nasce.
E eu: -Me dá uma anestesia pelo amor de Deeeeeeeeeeeeus!!!

Foi tudo muito rápido, as pessoas falavam comigo mas eu não processava nada.
Até que levei a picadinha na coluna e tudo ficou bem.
Minha cesárea??? Que cesárea???
Sim, eu não tive escolha e não dava mais tempo.
O médico falava: -Faz força…
O Pedro não saía…
E o médico falava: -Mais força, vai que ele tá vindo.
Só sei que Ednaldo levantando minhas costas pra ajudar a empurrar o bebê e a enfermeira empurrando com a mão.

Iphone 1143Nasceu!!! Nasceu e eu não ouvia o choro e falava: -Porque ele não chora??
O médico disse: -Calma, ele só nasceu cansado.
Sei que entre pediatra e enfermeiras, tinha umas 4 ou 5 pessoas, eu não conseguia ver nada do que acontecia, tinha um pano em cima das minhas pernas que me impedia de ver. (o pai fotografou esse momento)
De repente entrou a incubadora e de longe eu vi o Pedro.
A enfermeira trouxe ele perto de mim e disse que ia ficar tudo bem e o médico repetiu dizendo que ele estava cansado por conta do parto normal.

Por fim, fiquei sozinha no centro cirúrgico com uma enfermeira que estava fazendo a minha ficha, já que entrei direto pra emergência.
Nisso o meu médico chegou, com uma cara não muito boa, disse que queria muito ter feito o parto e ficou me fazendo companhia até alguém me levar pro pós operatório.

Gente, dei entrada no hospital as 13:50 e ás 14:13 o Pedro nasceu!!!
Será que foi rápido???

SONY DSCFui pra sala de recuperação era umas 15:30, 16:00 eu acho.
Me esqueceram lá, só sei que subi pro quarto era umas 20:30 e toda a família lá me esperando, foi quando o Ednaldo arrasado me disse que o Pedro estava na UTI e que o horário de visita era só até as 21:00. Já não dava mais tempo de eu subir para vê-lo.

A janta chegou, família foi embora e quando foi umas 23:30 ligaram no quarto, era uma enfermeira dizendo que eu poderia subir para ver o Pedro.

A realidade era bem outra do que o médico havia me dito no centro cirúrgico.
Em resumo, Pedro sofreu insuficiência de oxigênio no cérebro, teria que ficar na UTI em tratamento e então, poderiam ficar sequelas, poderia ter uma paralisia cerebral… mas eu só teria alguma informação depois que ele acordasse (SE ele acordasse).
Ele ficaria em procedimento de hipotermia, sedado por 72 horas com a temperatura do corpo baixa (eu colocava a mão nele e ele estava gelado), para preservar o sistema neurológico e os médicos terem tempo para avaliar os sinais vitais dele e só depois disso, os médicos poderiam me falar alguma coisa.

E assim, conto no próximo post sobre os longos dias na UTI.