Filhos, ter ou não ter?

Muito se fala que TODO casal TEM que ter filhos…
Discordo.

Eu, por 10 anos adiei a maternidade.
Simplesmente não queria!
Cobranças? Infinitas!
Se não enchia o saco? Pooorra!!!
As pessoas não aceitam e não respeitam simplesmente o fato de você não querer assumir a maternidade.

O que eu sempre falava era: Se acontecer, OK, mas enquanto eu puder evitar, vou evitar.
Esses dias, minha sogra falou: -Um casal sem filhos não tem graça nenhuma né? Deve ser muito chato!
AHAHAHAHAHA, eu e meus cunhados fomos categóricos e respondemos os três ao mesmo tempo em alto e bom som: -Ahhhhh. tem graça sim! E não é chato não!

Eu, não imagino mais a minha vida sem o Pedro. Isso é fato.
Mas nesses dois anos e 4 meses, aprendi muita coisa, na marra.

Sempre adiei a maternidade, porque só ouvia coisas do tipo: -Ahhhhh, quando você tiver filhos, você vai ver, você não faz mais nada da vida!
-Ahhhhh, depois que vierem os filhos, acabou pra vocês…
Mas ninguém dizia exatamente o que acabava!
-Ahhhh, nunca mais você vai dormir… (isso é verdade kkkkk)

Então assim, nesses 10 anos de casada, aproveitei, viajei, curti balada, curti muito meus amigos, fui em shows, parques, viajei sozinha sem o marido junto com a prima, dormia até 3 horas da tarde, comia qualquer porcaria com preguiça de fazer coida, essas coisas aí que podemos fazer sem se preocupar com alguém que dependa de mim.
Aproveitei bastante MESMO!
Quando eu engravidei, eu já tava tanto pensando no pior para tudo, que no fim das contas, foi bom o terrorismo que me fizeram.
Aconteceu do Pedro ficar na UTI e lá, eu já pensava diferente.
Pensava que se o Pedro fosse ter sequelas, que por algum motivo eu teria que passar por isso.
Passei por essa prova, Pedro não teve uma sequela e então, fiquei esperando o pior de tudo.
A minha vida parada por causa daquele serzinho e eu não curtindo mais nada.

Olha, a verdade é que maternidade não é brincadeira.
Não dá pra voltar atrás e agir como se fosse quando eu não tinha o Pedro.
Não deixei de fazer nada por causa dele.
Claro, os programas mudaram.
Os jantares com amigos não são mais tranquilos, não consigo levar uma conversa do início ao fim com tranquilidade como antes.
Não como mais aquela comida quentinha.
Principalmente: Eu e o Ednaldo não jantamos mais juntos kkkkkkkkkkkkkk
Viajar? Super possível! Dá pra viajar sim gente…
Só não dá mais pra ir naquela pousadinha baratinha que você se vira com seu marido se o chuveiro estiver gelado, se chegar no hotel e ser uma coisa tão horrorosa e você ter que sair correndo pra procurar outro lugar pra ficar (sim, já aconteceu comigo).
Precisa ser um lugar com um pouco mais de estrutura.
Talvez as companhias mudem um pouco, você passa a sair mais e até mesmo viajar, com quem tenha filhos.
Não é porque você deixou de gostar daquela galera que não tem filhos, mas (pelo menos no meu caso), é porque tenho plena consciencia que o ritmo é outro.
Eles não tem culpa e não precisam entender, que eu demore mais pra ir almoçar porque o Pedro está dormindo, ou que eu não fique mais aquele tempão batendo papo porque ele quer brincar ou até mesmo dormir…
Dormir??? AHAHAHAHAHAHA, não sei mais o que é isso, não tenho mais horário padrão para dormir, durmo quando dá!
E mesmo assim, quem diria, mas eu estou amando ser mãe.
Maternidade é doação, abrir mão de muita coisa e nem todo mundo está disposto ou preparado para isso.
É super normal, somos todos diferentes com necessidades diferentes, prioridades diferentes.

Acho que não querer ter filhos, é um direito sim que o casal tem.
É um SACO ter que ficar dando satisfações do porque você não quer filhos ou porque não teve até agora.
Sabe aquela coisa que todo mundo adora postar: O que não falar para uma mãe que não trabalha fora, o que não falar para uma mãe que amamenta, o que não falar…
Então.
Não questionem nunca os motivos do casal ainda não ter filhos.
Acontece muito também do casal ter dificuldades para engravidar, e aí, tem coisa mais incômoda de ter que ficar explicando isso também?
Saiba que você além de curioso, está sendo desagradável e inconveniente.
Esse é um outro ponto extremamente delicado, mas as pessoas não querem saber.
Gostam de cobrar, gostam de falar e palpitar, mas ajudar de fato que é bom, nada!
Não querer ter filhos, não é pecado, não é errado.
Errado é essa encheção de saco.

Hoje, as informações correm rápido demais, a competitividade lá fora é muito grande em tudo.
Já falei sobre isso, mas a mulher se sobrecarrega de uma tal forma, sem perceber.
Tem que ter excelência no trabalho, ser excelente mãe, excelente dona de casa, excelente esposa…
E ela, fica onde? São muitas questões envolvidas e nenhuma delas é da conta dessas pessoas. Certo?

Pessoas que não querem ter filhos ou não tem por 343803804 motivos.
É um direito de vocês e vocês não precisam ficar dando satisfações o tempo todo pra todo mundo.
Uma vez eu explodi e respondi: -Vou ter esse filho que você tanto quer e você cria e sustenta pra mim, tá bom?
Fui chamada de mal criada, mas depois disso, kkkkkkkkkkkkkk, nunca mais me perguntou.
Então assim, se for preciso uma resposta mais ríspida, responda! Pessoas chatas e sem semancol muitas vezes precisam de uma grosseria para parar de cobrar uma coisa, que nem é da conta dela!

Repensando em como eu tenho tratado meu marido (repensei mesmo)

O  intuito deste blog não é de ficar pegando textos na Internet e ficar postando.
Não vejo muito sentido nisso…

Aliás, eu deixei de seguir muitos faces, insta e blogs referente a maternidade, porque era muito mimimi
Não pode fazer isso, não pode falar aquilo, não pode mais aquilo outro… Um porre.

Mas me deparei com um texto que eu achei bem interessante, confesso que me fez repensar na minha maneira de agir e quero melhorar isso.
Não é sobre maternidade, mas sim, sobre vida a dois.
Pra mim foi um tapa na cara e a impressão que eu tive lendo tudo, foi que a pessoa que escreveu, estava dentro da minha casa!
Soube que esse texto se tornou viral nos Estados Unidos e entendi muito bem o porque.

Me vi muito nesse texto, vi minhas amigas, as mesmas reclamações de quase todas elas.
Não sei ainda se é reclamação ou desabafo. Acho que tá mais pra desabafo.
AHAHAHAHAHAHAHA, estou repensando mas continuo achando o marido atrapalhado e que muitas vezes não vai conseguir fazer determinada coisa sozinho, vou continuar achando que uma pro atividade em casa seria o ideal… rs (Eu disse que quero melhorar….)

Enfim… vale a pena a leitura.
O texto não tem o nome do autor e encontrei ele traduzido no Blog Mamãe Real

O texto original está nesse link: Woman Realizes That She’s Been Accidentally Abusing Her Husband This Whole Time… Wow.

 

Uma jovem mulher percebe que tem abusado do marido por anos sem se dar conta

Minha ficha caiu por causa de um pacote de hamburguers. Eu pedi ao meu marido para parar na loja pra comprar algumas coisas pro jantar. Quando ele chegou em casa, ele colocou as sacolas em cima da mesa e eu percebi que que ele tinha comprado um hamburguer diferente do que eu normalmente compro.

Eu perguntei: “o que é isso?”

“Hamburgers congelados” ele respondeu, meio confuso.

“Você não comprou o tipo correto”, eu disse.

“Não? Por que?” Ele respondeu com sua testa enrugada.”

“Eu sempre compro hamburguer feito com carne de primeira e este é de segunda”.

Ele sorriu e disse “Ah, é só isso? Eu pensei que eu tivesse me confundido com algo grande”

Briga
Imagem: Getty Images

E foi assim que começou. Eu dei um sermão pra ele. Eu reclamei que ele não era inteligente. Por que ele não comprou a carne de melhor qualidade e mais saudável? Ele leu a embalagem? Por que eu não posso confiar nele? Eu também me indignei porque como poderia ele não notar nestes anos todos que eu sempre compro o hamburguer de primeira? Será que ele nunca presta atenção em nada?

E enquanto ele ouvia minha indignação por causa do hamburguer, murmurando que não era um problema tão grande e que ele iria comprar o correto da próxima vez, eu vi seu rosto mudar de expressão. Eu já via esta expressão algumas vezes nos últimos anos. Uma mistura de desmoralização e resignação. Parecia com a cara que meu filho faz quando é corrigido. E eu pensei: “Por que eu estou fazendo isto? Eu não sou a mãe do meu marido!”

E eu subitamente me senti terrível. E envergonhada. Ele estava certo. Não era algo tão importante pra eu ficar tão irritada. E eu perdi a cabeça por causa de um pacote de hamburguer que ele generosamente parou pra comprar assim como eu tinha pedido. No meio de me sentir envergonhada, eu apenas murmurei algo como “ah, vou ter que me virar com este hamburguer mesmo” e fui começar o jantar.

Ele parecia aliviado que a discussão tinha acabado e saiu da cozinha.

E então eu me sentei e pensei honestamente sobre o que eu tinha acabado de fazer. Algo que eu já tinha feito tantas outras vezes, provavelmente.

O “momento do hamburguer” certamente não foi a primeira vez que eu dei uma bronca no meu marido por não fazer as coisas como eu acho que deveriam ser feitas. Lembro-me de várias vezes que o critiquei por colocar algo no lugar errado ou esquecer alguma coisa e eu estava sempre ali pra mostrar pra ele seu erro.


SONY DSCPor que eu faço isso? Que benefício me traz sempre diminuir meu marido? O homem
que eu recebi como meu parceiro pra vida toda. O pai dos meus filhos. O homem que eu quero ter ao meu lado pra sempre. Por que eu faço aquilo que muitas vezes as mulheres são acusadas de fazer: tentar mudar o jeito que ele faz cada pequena coisa? Será que estou indo a algum lugar com isso?

Por que o meu jeito tem que ser o jeito certo e o jeito dele o jeito errado? Desde quando se tornou correto corrigi-lo e apontar cada coisa que ele faz que não é como eu gostaria?

E como isso o beneficia? Será que isso o faz pensar: “Uau, certamente eu sou sortudo dela me colocar na linha o tempo todo.” Eu duvido. Provavelmente ele acha que eu estou no pé dele sem motivo e o leva a se afastar.

Esses dias achei um caco de vidro no lixo. Perguntei a ele o que tinha acontecido. Ele me disse que quebrou um copo mas preferiu não me falar pois não queria que eu reclamasse por causa disso.

Outro dia encontrei um par de meias no lixo. Peguntei a ele o que tinha acontecido. Ele me disse que tinha por acidente colocado as meias brancas junto com a roupa colorida na máquina de lavar. Quando viu as meias manchadas, preferiu jogá-las do que me ouvir dizer pela centésima vez como separar as roupas brancas das coloridas.

Então chegamos a um ponto que ele achava mais fácil e menos estressante esconder as coisas do que admitir que ele cometeu um pequeno erro. Que tipo de ambiente eu criei que o faz acreditar que ele não pode cometer erros?

E vamos dar uma olhada nestes “erros”. Um copo quebrado. Meias manchadas. Erros normais que qualquer um pode fazer. Mas ele estava certo. Muitas vezes quando ele cometia um pequeno erro, eu passava um sermão de como as coisas deviam ser feitas. Ele sempre ouvia por um tempo e depois dizia: “acho que essas coisas não são tão importantes pra mim.”

Agora eu entendo o que ele queria dizer: “estas coisas que te deixam tão chateadas são pequenos detalhes, uma questão de opinião, uma preferência, e eu não vejo porque fazer uma guerra disso.” Mas eu interpretava como se ele não se importasse comigo ou se como ele não entendesse as coisas. No meu inconsciente eu pensava que eu era a que fazia as coisas funcionar aqui em casa.

Eu comecei a observar minhas amigas e notar as coisas que elas reclamavam nos seus maridos e comecei a perceber que não estava sozinha. De alguma forma, muitas de nós acreditamos na mentira de que a esposa sempre sabe melhor e é o cérebro da casa.

É um estereotipo fácil de se acreditar. Olhe na midia. Tvs, filmes, propagandas. Cheios de maridos bobões com esposas inteligentes e sabem-tudo. Eles não sabem cozinhar. Eles não conseguem cuidar das crianças. Se você pedir pra ele comprar duas coisas, ele vai voltar com duas, e uma delas estará errada. Eles são todos iguais. Dia a dia estas são as imagens que vemos na mídia.

O que essa constante reclamação e murmuração faz é enviar uma mensagem aos nossos maridos de que nós não os respeitamos. Nós não acreditamos que eles sejam inteligentes o suficiente pra fazer as coisas certas. Nós já sabemos que você vai fazer besteira. Se ele for um homem seguro, provavelmente ele vai se sentir ressentido com você. Se ele for inseguro, possivelmente ele vai começar acreditar em você e achar que ele não sabe fazer nada direito. E nenhuma destas respostas serão boas e benéficas pra vocês e nem pro casamento.

E quando penso em situações opostas, quando eu fui quem cometi os erros, vejo que ele foi muito mais graciosos comigo porque ele não fica querendo me mudar em cada pequeno detalhe.

Monte Verde 157O ponto central em tudo isso é que eu escolhi este homem como meu marido. Ele não é meu empregado. Ele não é meu escravo. Ele não é meu filho. Quando eu casei com ele, eu não achava que ele era um estúpido. Ele não precisa ser repreendido por mim só porque eu não gosto do jeito que ele faz certas coisas.


Quando eu entendi isso, eu comecei a perceber todas as coisas boas nele. Ele é inteligente, uma ótima pessoas, ele é otimo com as crianças. Além disso, ele não me repreende cada vez que eu faço algo diferente do que ele, pelo contrário, ele cede muitas vezes pro meu jeito de fazer as coisas. E em vez de focar nestas coisas, eu estava focando só no negativo. E eu sei que não sou a única que faço isso.

Se nós continuarmos a fazer nossos maridos se sentirem mal porque eles cometem erros ou não fazem as coisas exatamente como gostamos, é bem possível que eles parem de se envolver ou começem a acreditar que eles são incapazes mesmo.

No meu caso, estou falando do meu companheiro de muitos anos. O mesmo que troca o pneu do meu carro na chuva, que cuida de mim quando estou doente, que ensinou nossos filhos a andar de bicicleta.

O homem que sempre trabalhou duro pra proporcionar uma vida decente para nós. E as vezes eu fico brava por causa de um prato fora do lugar.

Desde que percebi isto, estou mudando, e o clima aqui em casa melhorou muito. Estamos mais a vontade um com o outro e nos vemos como companheiros do mesmo time em vez de oponentes. Aprendi até a ver que o jeito dele de fazer as coisas é muitas vezes melhor que o meu.

São necessárias duas pessoas para que uma parceria aconteça. Nenhum está sempre certo e nenhum está sempre errado. E nem sempre veremos as coisas exatamente do mesmo jeito. Você não se torna melhor, ou mais inteligente, ou superior por apontar cada coisinha que não é como você queria. Amigas, lembrem-se, é apenas carne para hamburguer!