UTI Parte IV – Rumo a alta!!!

É gente…

E depois de 17 dias do Pedro na UTI, todo aquele perrengue, ele já ficava acordado o suficiente (ainda sonolento por conta da medicação para a convulsão), estava mamando no peito e tomando na mamadeira também (além do peito, eram 125ml na mamadeira)… estava já acostumada a aquela rotina da UTI.
Um belo dia, uma das enfermeiras fofas pediu para que eu levasse um macacão RN e um macacão tamanho P, para ver qual serviria nele, pois logo ele sairia da incubadora para o bercinho e ficaria vestido.

Sabe que, isso para muitas ali causou muitas expectativas, ir para o bercinho significava muito!! Cada dia era uma na salinha das mães, feliz e saltitante porque o filho estava finalmente saindo da incubadora.
Eu fiquei tranquila, não tinha me ligado que além de sair da incubadora, isso significaria ele ser promovido, ele iria para uma outra ala na UTI, já não era considerado caso gravíssimo.

E foi no 17º dia, que cheguei lá para ver meu filho e vi uma movimentação…
Pedro já estava de roupa, tinha uma colega ali que também estava feliz da vida e ela mesmo veio me falar: -Nós vamos sair daqui!!!

Pedro estava sendo promovido para a ala 8, era a unidade semi-intensiva! A última ala!!!
Foi tudo muito rápido, eu nem sabia que ele mudaria de ala, ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz, eu fiquei chateada…
Afinal de contas, eram 17 dias tendo contato com as mesmas enfermeiras, criamos laços, eu via que elas também tinham um carinho especial pelo Pedro.
Os pediatras também seriam outros que o acompanhariam dali em diante.
Fiquei chateada, acreditam?
Pra ser sincera, fiquei até meio perdida!!! Eles que me acompanharam nos momentos mais difíceis, como assim eu ia sair de lá e continuar lá, sem essas pessoas que eu tanto me apeguei???
Retardada master eu né?? kkkkkkkkkkk, mas foi isso que eu senti.

E lá fomos, para a ala 8…
Pedro devidamente vestido, enrolado no cobertor…

 

 

 

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Também comecei a ficar preocupada, pois ele estava dormindo demais, mais que o normal e logo pensei: -Ai meu Deus, vai voltar pra ala 1? Vão ter que testar os medicamentos de novo???
E a enfermeira me tranquilizou, disse que era normal, pois agora ele estava com roupa, quentinho, enrolado na coberta, então iria dormir mais mesmo.
HAHAHAHAHAHAHAHA, que susto!!!

Foi nesse dia, que eu cheguei para amamentá-lo e ele já estava aos berros.
Amamentava a cada 3 horas, mas a enfermeira me disse que com 2 horas, 2 horas e meia ele já estava chorando de fome.
Foi quando, com muito cuidado, ela me perguntou: -E se der uma chupeta?
Eu: -E vocês dão chupeta?? Eu sempre ouvi dizer que no hospital vocês não dão nem mamadeira e nem chupeta!
Na UTI tudo muda… as enfermeiras se viram nos 30.
Daí ela me disse: -Ah, tem casos que a pediatra libera.
Eu: -Ahhhhhhhh, por mim pode dar heim! Não precisa ficar preocupada se eu vou ficar brava não, pois lá em casa já tem uma chupeta pra ele!
HAHAHAHAHAHAHAHA, rapidinho apareceu uma chupeta devidamente esterilizada e as enfermeiras poderiam ficar mais tranquilas.

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Foi lá que eu vi o Pedro tomando banho pela primeira vez.
Ele já estava com 19 dias de vida quando eu assisti o seu banho.
Pensa num moleque bravo (1 ano e quase 9 meses se passaram e nada mudou), chorou aos montes.
Olhando a enfermeira dando banho, parece tão simples né???

Foi ali na ala 8 também que um dia eu cheguei e tinha um pedaço de gaze com esparadrapo colado no berço.
O que seria aquilo???
A enfermeira: -Caiu o (não lembro o nome que ela me disse) e eu coloquei no esparadrapo caso você queira guardar.
Eu: -O que é isso???
Enfermeira: -O umbigo!!
Eu, mãe muito sensível: -Ahhh, pode jogar fora!! Vou fazer o que com isso???
kkkkkkkkkk gente, joguei no lixo, tanta coisa pra guardar, não ia guardar um pedaço do umbigo!!!

Foi nesse dia também que o médico havia me avisou que na manhã seguinte ele faria uma ressonância magnética.
Pelo que eu entendi, é um procedimento padrão antes da alta, para certificar que tudo está OK com o bebê.
Pedro estava em jejum, feliz da vida (chorando horrores de fome e a gente enganando ele com a chupeta), a ambulância estava marcada para chegar ás 09:30 ou 10:00, nem lembro, e nada da ambulância chegar (o exame seria feito no laboratório no Santa Joana)
Daí o Dr Allan, perto das 11:00 veio me dizer que haviam mandado uma ambulância errada, ele pediu ambulância de UTI e mandaram uma comum, mas que ele estava correndo atrás de outra LOGO para não perder o jejum do Pedro.
Ele se esforçou, mas não deu, pois no laboratório não tinha mais horário para o Pedro fazer o exame.
Ahhhhhhhhhh!!! Então vamos lá dar o tetê pro gordo que estava aos berros, coitado.
As colegas de UTI ficaram revoltadas, perguntando se eu não ia fazer nada!!! Que elas fariam um barraco daqueles.
Mas gente… o que eu poderia fazer? Eu vi o próprio médico correndo atrás de uma outra ambulância, mas não tinha mais horário no laboratório, fazer o que? Acontece né?
Isso só esticou a nossa permanência lá na UTI.
Essa foto foi tirada depois que ele mamou, tava peladinho enrolado na manta, pronto pra ir fazer o exame!!!

E chegou o grande dia da ressonância magnética.
3 dias depois…
Pela primeira vez, tanto o Pedro quanto eu, fomos dar um rolê de ambulância!!!
Ele foi sedado e ficou lá na salinha gelada fazendo o exame.
Eu e Dr Allan sentados do lado de fora, aguardando o término do exame.

Ele virou pra mim e falou: -Depois que sair o resultado do exame, vocês podem ir embora, não tem mais o que esse “chatão” fazer na UTI!
Ahhhhhhhhhh Dr!!! “Cejura”???

Acabou o exame, ele já havia acordado da anestesia e chorando horrores de fome.
Na hora de colocá-lo na incubadora, adivinha??? A chupeta caiu no chão. A ÚNICA chupeta!
Dr virou e falou: -Agora ficou bom… vamos embora!

Gente, ele foi se esgoelando do Santa Joana até o Pro Matre!!!
Quem foi com ele atrás na ambulância foi o Dr Allan, eu fui na frente com a enfermeira, ouvindo os berros dele o caminho todo.
Assim que chegamos, que alívio.
O resultado??? No dia seguinte sairia. Uebaaaaaa!!
Estávamos muito perto de sair daquele hospital!

 

UTI Parte III – Pegando o Pedro no colo pela primeira vez e amamentando

Hello pessoas!!!
Desculpem o sumiço, tô aqui correndo atrás da nova “roupa” do Blog, algo mais personalizado, mais a minha cara…

Vamos lá… continuando a minha novela, a saga na UTI.

Passado exatamente uma semana pós alta, depois de todo aquele sofrimento, fiquei nova em folha.
Mas vou falar, o que eu passei eu não desejo pra ninguém!!! Por isso, se alguém quer fazer muito o parto normal, nem vem pedir a minha opinião.
Daí algumas dizem: Se fosse cesária seria muito pior!
Quem me garante???
Enfim… Cada um com a sua escolha, preferência.
Ninguém vai ser mais mãe ou menos mãe, pelo tipo de parto que teve o seu filho.
Eu nem escolha tive!!!

Passados 9 dias na UTI, ele não respirava mais com a ajuda do aparelho.
Conseguia respirar sozinho!!!
Pela primeira vez ouvimos o seu choro!
Sim, quando ele nasceu eu perguntava a toda hora: Porque ele não chora? Ele não vai chorar???
E daí foi todo aquele procedimento, somente no nono dia de vida conseguimos ouvir o seu choro.
Foi um alívio imenso.
Obs: O bigodinho dele consta dia 18, mas esse era o dia em que o bigodinho tinha sido colocado…. já era dia 20.

Depois da alegria de ouvir o seu choro, a enfermeira me presenteou me permitindo que eu pegasse ele no colo pela primeira vez!!!
A pergunta: -Quer pegá-lo colo??
Porraaaaaaaaaa!!! Quer me matar do coração?

Papai e Pedro se conhecendo melhor
Papai e Pedro se conhecendo melhor

E então foi no 13° dia, o Ednaldo escapou do serviço e foi visitar o Pedro no horário da manhã para enfim poder pegá-lo no colo!
Pois desde então, ele não tinha conseguido pegar o Pedro, quando ele chegava o Pedro estava dormindo ou estava rolando algum procedimento.

 

 

Me lembro até hoje, no dia em que o Ednaldo ia pagar o Pedro no colo pela primeira vez, a enfermeira me viu com a câmera e disse: -Vou tirar a sonda e o bigodinho (esparadrapo) pra vocês tirarem a foto, pois já vai ser o dia de trocar mesmo!
E essa era a primeira vez que víamos o rostinho dele por completo, sem sonda, sem tubo, sem esparadrapo….

Gente, essas enfermeiras da Pro Matre são de uma delicadeza, uma dedicação…
Achei muito fofa essa atitude por parte dela! É muito amor envolvido.

No dia seguinte, Pedro tomando seu leite via sonda a todo vapor, quando cheguei para a visita, a enfermeira estava falando com a Pediatra, para ver se dava uma parte do leite na sonda e outra parte no copinho, já para começar a tirar a sonda.
E não é que o Pedro não quis ninguém resolvendo a vida dele e nessa hora, ele mesmo arrancou a sonda?
A Pediatra olhou, riu e falou: -Dá tudo no copinho!!
E tomou tudinho o leite direto no copinho!!! Outro alívio, a sonda para alimentação não seria mais necessária!
Até o sexto dia de vida, eram 20ml de leite na sonda que ele estava tomando, os dias foram passando, foram aumentando a dosagem e no 13° dia de vida, ele tomou 70ml no copinho.

Os dias iam passando, eram só notícias boas, exames feitos diariamente, ainda tinha indícios de convulsão.
Esqueci de mencionar, além de tudo o que aconteceu ele ainda teve convulsão logo que nasceu e aí eram mais medicamentos para cuidar disso.
Mas a cada dia que passava era uma notícia boa, a fisionomia dos médicos e das enfermeiras já tinha mudado da água pro vinho!

E no dia seguinte que ele começou a tomar leite no copinho, o Pediatra virou pra enfermeira e falou: -Deixa a mãe amamentar.
Eu??? Ai que medooooooooo!!!
Geeeeeeeente que sensação mais estranha…
Ele pegou meu peito esquerdo direitinho, mamou muito bem.
As enfermeiras me rodeavam, olhavam  uma para a outra e diziam: -Está mamando!!
Eu vi que elas vibravam, mas até então achei que elas só quisessem me agradar, me deixar feliz sabe, sei lá.
Quando cheguei na casa da minha cunhada a noite, ela me fez mil vezes a mesma pergunta: -Mas ele pegou o seu seio direitinho? Mamou? Tava sugando? Saiu leite?

Mas depois eu fui entender o porque da vibração das enfermeiras e das 1000 perguntas repetidas da minha cunhada.
Geralmente os bebês que sofrem de Hipóxia, não tem força para mamar!!!
Não mamam no peito, mas minha cunhada por exemplo não queria me falar isso, pois não me ajudaria em nada! kkkkkkkkkk
Aliás, o Pedro quando nasceu, o APGAR dele no primeiro minuto de vida foi nota 2 e aos 5 minutos, era nota 4.

O que seria o APGAR? (Clique em APGAR e leia a explicação completa do Wikipedia)
“A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar (1909 – 1974), médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7),com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2.”

Mais uma para comemorarmos!!!
Até então tava tudo indo muito bem!

A amamentação???
Sinceramente, aquela coisa que a mãe vê borboletas em volta enquanto amamenta, tudo lindo e maravilhoso como aparece na revista, não existe viu.
No começo estávamos nos conhecendo, era uma sensação estranha, o peito doía, a gente fica sem posição, os braços começam a doer, daí as enfermeiras vinham com travesseiros para que nos aconchegássemos melhor e tivéssemos um pouco mais de conforto.
Eu achava que, o fato de eu tirar o leite lá no lactário e o bico do meu peito não ter rachado, não ia rachar mais.
Daí a mocoronga aqui parou de passar a pomada milagrosa (Lansinoh).
Pensa num bico ardido que ficou depois que o Pedro começou a mamar….
Não chegou a sangrar, como vi acontecer com muitas, mas ardia, daí comprei o bendito dos copinhos pra por no sutiã, pois o sutiã grudava no peito e era outra dor pra desgrudar.
kkkkkkkkkkk, a primeira vez que eu fui sair de casa com o copinho nos peitos, o Ednaldo olhou pra mim e falou: -Você vai sair desse jeito???
Eu: -Claro!!!
Era ridículo, mas eu só ia para o hospital, era só mais uma naquela situação, nessas horas a gente nem liga se tá feio, muito feio ou horroroso!!!

E é isso gente, conforme os dias foram passando, para a nossa surpresa e também surpresa dos médicos, Pedro só estava evoluindo o seu quadro gravíssimo em que ele se encontrava.
Estava tudo correndo bem, eu sempre estive confiante (não estou falando isso só porque agora está tudo bem viu?), e eu vi que o caminho era esse mesmo!!
Otimismo sempre! Enxergar o lado bom da situação sempre! E estava dando certo!

O próximo post será quando ele saiu da ala 1 da UTI e foi para a semi intensiva!!! Foi promovido direto para a ala 8, a últimaaaa!!!

UTI Parte I – Saindo do hospital sem bebê nos braços e os longos dias na UTI Neonatal

Passado a correria do parto, fui pro quarto, jantei bem gostosinho e fiquei papeando com o marido que estava super abatido.
Eu até então estava super tranquila. Pra mim o Pedro estava apenas cansado como o médico havia me dito.
Mas quando foi umas 23:30, a enfermeira ligou no quarto e disse que eu poderia ir até o sexto andar ver meu filho.

Chegando no sexto andar, uma porta gigante com um interfone.
Sinto coisas só de lembrar do barulho daquela campainha. (Tenho certeza que qualquer mãe que passou por aquela porta da UTI sente coisas só de ouvir a campainha ou lembrar…)

Entrei e me levaram até a ala 1 da UTI Neonatal.
Só pra vocês entenderem, a UTI é dividida por alas, que até então ia de 1 a 8.
A ala 1 ficavam os bebês mais críticos e conforme iram melhorando iram sendo promovidos…

Antes de entrar em qualquer ala, temos todo um procedimento de higienização das mãos e depois passar álcool nas mãos.
O Ednaldo me acompanhou até a porta e de lá eu fui sozinha, ele não quis entrar comigo.
Talvez tenha ficado com medo da minha reação ao ver o Pedro, sei lá.

Assim que cheguei ao bercinho onde estava o Pedro, eu vi um bebê enorme, gordinho, todo entubado, braço furado, pé furado, cheio de fios colados ao corpo, dormindo…
Eu colocava a mão nele e ele estava gelado.
A primeira enfermeira que falou comigo, bem serena e sorrindo, me disse: -Ele é bravo heim…

Acho que fiquei só uns 5 minutos ali, eu não tinha muito o que fazer, a enfermeira também não podia me falar muita coisa e ele estava sedado.

Voltei para o meu quarto e finalmente consegui dormir e descansar (acreditem, eu consegui).
Mesmo vendo meu filho naquela situação, eu consegui me manter centrada, tranquila, os médicos estavam trabalhando e não dependia de mim!

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Pedro e Papai: Força!

No dia seguinte, fui lá pra UTI ver o Pedro e o Dr Allan veio falar comigo.
Disse que o Pedro estava em um procedimento de hipotermia, que teríamos que aguardar as primeiras 72 horas em que ele ficaria sedado, aos poucos eles tirariam a medicação e teriamos que aguardar ele acordar. SE ele acordasse.
E ainda foi bem claro quando me disse que de 7 bebês que passam por este procedimento, UM sai totalmente sem sequelas.

Sobre o tratamento de hipotermia, tirado do site do Hospital São Luiz:

A UTI Neonatal do São Luiz adota, desde 2008, o Protocolo de Hipotermia Neuroprotetora em recém-nascidos com quadros de asfixia moderada ou grave para reduzir chances de sequelas neurológicas, uma das pioneiras nesse tipo de terapêutica no Brasil.
A hipotermia terapêutica é uma técnica utilizada pelos médicos caracterizada pela diminuição da temperatura corpórea do recém-nascido, atingindo níveis em torno de 34ºC. O procedimento diminui o metabolismo cerebral e, com isso, reduz-se um processo iniciado imediatamente após a falta de oxigenação e que leva à morte dos neurônios, ocasionando graves e irreversíveis danos neurológicos.
O tratamento é iniciado em até 6 horas após o nascimento e, enquanto a temperatura corporal é reduzida, há constante monitoramento dos sistemas neurológico e cardiorrespiratório. Segundo a neonatologista Graziela Lopes Del Ben, do Hospital e Maternidade São Luiz, ela é “utilizada e eficaz em casos de asfixia perinatal, mais precisamente nos casos de diminuição no fluxo sanguíneo cerebral e da oxigenação ao nível do sistema nervoso”.

Com o resfriamento, a atividade metabólica também diminui. O cérebro passa a consumir menos oxigênio, os batimentos cardíacos diminuem e o corpo entra numa espécie de hibernação. Como consequência, há uma “atenuação da lesão cerebral e a diminuição, a longo prazo, das sequelas neurológicas”, afirma a médica.

Os resultados benéficos da hipotermia têm sido comprovados em pesquisas. Estudos internacionais comprovam que houve diminuição em 24% do índice de mortalidade em bebês vítimas da asfixia, além da redução de 30% para 19% das sequelas neurológicas aos 18 meses de idade. “

Saí da UTI meio desnorteada, virei pro Ednaldo e falei: -Pedro vai ser esse UM que sai totalmente sem sequelas.
Estávamos meio perdidos, nem sabíamos direito o que conversarmos, eu estava confiante, até cheguei a pesquisar algumas coisas sobre o que houve com o Pedro, mas parei, porque só via desgraça e não era o momento de eu ficar me remoendo com isso.

Meu médico então passou para me ver e disse que havia ido lá ver o Pedro e que a situação dele era bem grave e que tinhamos que orar muito.
Pensa, um médico dizendo que deveríamos orar muito.

E assim foram os meus dias enquanto fiquei internada.
Recebi muitas visitas, mas achei um tanto quanto estranho receber visitas e não ter bebê para mostrar.
A grande maioria surpresos com a minha recuperação super rápida por conta do parto normal.

Fiquei internada 4 dias.
Nos 3 primeiros dias, nós subíamos na UTI mas não tinha o que ser feito a não ser apenas olhar, pois ele estava sedado né??
Um dia antes de eu ter alta, assim que as visitas foram embora no último horário, senti meus peitos inchados, quentes e mega doloridos.
O leite desceu. Chamei a enfermeira que me trouxe 2 luvas com água fresca para colocar dentro do sutiã, e me orientou no dia seguinte, ás 09:00, ir para o lactário para a ordenha.
Isso mesmo gente, kkkkkkkkkkkkkk, ordenha!!!

No dia seguinte pela manhã fui ao lactário onde a enfermeira Marcela me passou todas as orientações, de higiene, como proceder, como usar a máquina de ordenha.
Tudo rigorosamente limpo, para entrar, somente com máscaras, avental, touca….

E lá fui eu tirar leite pela primeira vez.
Sensação estranha, aquela maquininha sugando, o leite espirrando na garrafinha…
Tirei 1 frasquinho de 150ml, só pra começar e aprender a ordenhar.

O lactário é uma coisa de louco.
Um monte de mulheres, na mesma situação, com seus bebês na UTI, com o peito de fora, ordenhando e batendo papo, rindo e falando besteiras.
A situação de todas é muito difícil, cada um encara de um jeito, quem nos visse ali com certeza diriam que eramos insensíveis…
Mas precisávamos dessa descontração, desse momento nosso, algumas choravam, desabafavam.
Era uma apoiando a outra, rindo ou chorando, mas na maioria das vezes, de bom humor para passar boas energias uma a outra.

Perto das 13 horas, recebi alta, mas foi apenas para tirar as coisas do quarto e levar pro carro, pois eu continuei no hospital, aguardando os horários de visitas e também para tirar o leite.
Aguardamos no hospital até ás 21:00 que era o último horário de amamentar, mas nesse horário eu não tirei o leite, fiquei apenas aguardando o horário para falar com o médico.

O silencio era ensurdecedor dentro do carro, entrar no hospital para ter o seu filho e sair de lá SEM o seu filho, é um tanto quanto frustrante. Nem eu e nem o Ednaldo trocamos uma palavra.
Passamos 3 dias recebendo visitas sem poder mostrar nosso filho as pessoas e agora, voltar pra casa sem ele.

Gente, quando eu cheguei em casa, meus peitos pareciam que eram de silicone. ENORMES! LINDOS, porém doloridos ao extremo.
Era muita dor, sem ao menos encostar, então corri para pegar o tira leite que a Lúcia, minha cunhada, havia me dado, mas para o meu desespero, não tinha a garrafinha!
Sei que Ednaldo saiu umas 23:30 pra rua, para achar a garrafinha do tira leite, e eu debaixo do chuveiro, chorando horrores de dor.
Enquanto eu estava no banho, ele chegou e corri sair do banho para a ordenha.
Gente que alívio, eu lembro que tirei o leite, o meu cansaço era tanto, mas tanto que do jeito que eu saí do banho, apenas tirei o leite e já dormi, peladona mesmo. kkkkkkkkkkkk

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E no dia seguinte, a visita do médico seria as 10:00, Pedro estava saindo do procedimento de hipotermia e já estava quentinho, já tinha ido para a incubadora, porém tinhamos que aguardar o efeito da medicação acabar para ele acordar. SE ele fosse acordar né…
Continuava entubado, com fios pelo corpo, pé furado, braço furado… mas pelo menos estava quentinho.

Com ele na incubadora eu já me senti um pouco mais a vontade de começar a tirar fotos.

Como podem observar na foto, Pedro ainda estava sedado, mas já segurava nossos dedos com a mãozinha minúscula.

Engraçado que enquanto eu estava no hospital eu estava super bem.
Mas foi só sair do hospital e os meus problemas do pós parto começaram.
Não fiz repouso devido (mãe de UTI não sabe o que é repousar para se recuperar).
E aí me perguntam: Mas não foi parto normal?
Sim, foi parto normal, porém foi feito a Espisiotomia (o famoso corte na pepeca) e levei pontos na pepeca né???
E aquele anda pra cá, anda pra lá, ficar sentada na poltrona na salinha das mães, e a noite, começou uma dor dos infernos…
Mas isso, fica para o próximo post.
A minha recuperação!

E já adiantando: Muita gente veio me falar que eu tinha que processar o médico por causa desse corte.
Processar nada!!!
Se não fosse o corte, Pedro teria me rasgado toda e talvez nem tivesse ido para a UTI, poderia ter morrido ali mesmo, pois sendo meu filho e do Ednaldo, a cabeça era avantajada… faltou oxigênio com o corte, imagina sem?

Enfim, agora o meu tão sofrido pós parto, fica para  o próximo post.

 

Parto Normal ou Cesárea… Qual foi a minha escolha?

Desde que me entendo por gente, mesmo nunca pensando em ter filhos, nunca passou pela minha cabeça o parto normal.
Os meses foram passando e o médico me dizendo que deu poderia fazer o parto normal tranquilamente e ainda fez uma observação: -Cris, eu sei fazer parto normal viu???
HAHAHAHAHAHAHAHAHA, nunca passou pela minha cabeça isso, se o médico sabe ou não sabe.
Era uma questão de escolhas mesmo.

Eu sei que no final da gravidez, por volta de 33 semanas, fui algumas vezes pro hospital, todas elas achando que seria aquele dia!!!
Inicialmente, meu parto estava previsto para até o dia 07/12.
Depois, mudou para o dia 23/11.
Por fim, batemos o martelo, faríamos a cirurgia no dia 18/11.
Até que no dia 08/11 eu passei mal, nem lembro o que havia acontecido, que eu fui pro hospital e nós estávamos convencidos que seria naquele dia.

E então o médico entrou e perguntou: -Você está bem, o bebê também, já falei com seu médico e vou te liberar! Não vai nascer hoje. Você quer parto normal ou…
Eu: -Cesárea!!
Ele me olhou meio de lado e disse: -Não sei não heim mãe, do jeito que tá, tem tudo pra ser parto normal!
Eu: -Ai não… essa mulher aí ao lado me assustou
Ele saiu e a enfermeira me falou: -Seguinte, orientais são bem mais resistente a dores, então se você sentir o mínimo de cólica já corre pro hospital. Se tiver trânsito, chama a polícia que a viatura vai abrindo o caminho pra você.

Iphone 1115No dia seguinte, participei do chá de fraldas do Raul, comi feito louca (era churrasco).
No domingo eu tinha um outro chá de fraldas, mas o calor era insuportável, eu com aquela barriga…
Fiquei em casa o dia todo, andando pelada pela casa, fechei todas as janelas pra não entrar nenhum raio de sol que pudesse esquentar qualquer coisa e fiquei deitada na cama, no escuro.

 

A noite, eu tava empanturrada do churrasco do chá de fraldas do Raul, fazia pelo menos uma semana que eu não cagava.
Fui lá e tomei 2 colheres de Tamarine (devidamente orientada pelo médico no começo da gravidez).
Não dormi de madrugada e desabafei no face:

post
Por volta de 4:30 da manhã, senti uma colicazinha e fui ao banheiro. Que alívio, o Tamarine estava fazendo efeito.
Ednaldo acordou umas 06:00 pra ir trabalhar e nisso eu já tinha perdido as contas de quantas vezes havia ido ao banheiro.
Lembrei da enfermeira me falando sobre a cólica, mas não quis falar nada pro Ednaldo porque ele já tinha faltado várias vezes ao trabalho por conta dos alarmes falsos.

Quando deu umas 11:00 o Dr Alexandre viu o meu desabafo no face, me ligou e falou: -Pensa rápido. Quer fazer a cirurgia hoje?
Não pensei duas vezes e respondi: -QUERO!!!
Então ele me orientou a tomar meu último copo de água e entrar em jejum e já ir para o hospital.
Daí eu falei: -Eu estou com um pouco e cólica!
Ele: -Tudo bem… vai pro hospital e lá conversamos.

Gente que desespero.
O Tamarine atrapalhou tudo, pois eu estava em trabalho de parto mas achei que era o efeito do laxante!!!!

Iphone 1136Chegamos ao hospital, fui andando normalmente e o Ednaldo foi estacionar o carro.
Passei pela recepção e expliquei a situação
Fui direto pra emergência sem fazer ficha nenhuma.
Então vieram fazer o exame de toque e a enfermeira gritou: -Dilatação total!
Quando vi, tinha uma tirando meu sapato, outra meu relógio, outra minha roupa (sim, tinha uma galera me rodeando) e já me colocando o jaleco e já me levando pro centro cirúrgico.
Encontrei meu marido quase na porta do elevador, subimos eu, enfermeiras, médico e o Ednaldo.
Eu chorava e implorava pela anestesia.

Não, não dava tempo do meu médico chegar e o médico que me atendeu na sexta feira dizendo que as chances de eu ter parto normal eram grandes, iria fazer o meu parto

Chegando no centro cirúrgico na hora de passar pra maca, a enfermeira me fala: -Vai devagarzinho se não o bebê nasce.
E eu: -Me dá uma anestesia pelo amor de Deeeeeeeeeeeeus!!!

Foi tudo muito rápido, as pessoas falavam comigo mas eu não processava nada.
Até que levei a picadinha na coluna e tudo ficou bem.
Minha cesárea??? Que cesárea???
Sim, eu não tive escolha e não dava mais tempo.
O médico falava: -Faz força…
O Pedro não saía…
E o médico falava: -Mais força, vai que ele tá vindo.
Só sei que Ednaldo levantando minhas costas pra ajudar a empurrar o bebê e a enfermeira empurrando com a mão.

Iphone 1143Nasceu!!! Nasceu e eu não ouvia o choro e falava: -Porque ele não chora??
O médico disse: -Calma, ele só nasceu cansado.
Sei que entre pediatra e enfermeiras, tinha umas 4 ou 5 pessoas, eu não conseguia ver nada do que acontecia, tinha um pano em cima das minhas pernas que me impedia de ver. (o pai fotografou esse momento)
De repente entrou a incubadora e de longe eu vi o Pedro.
A enfermeira trouxe ele perto de mim e disse que ia ficar tudo bem e o médico repetiu dizendo que ele estava cansado por conta do parto normal.

Por fim, fiquei sozinha no centro cirúrgico com uma enfermeira que estava fazendo a minha ficha, já que entrei direto pra emergência.
Nisso o meu médico chegou, com uma cara não muito boa, disse que queria muito ter feito o parto e ficou me fazendo companhia até alguém me levar pro pós operatório.

Gente, dei entrada no hospital as 13:50 e ás 14:13 o Pedro nasceu!!!
Será que foi rápido???

SONY DSCFui pra sala de recuperação era umas 15:30, 16:00 eu acho.
Me esqueceram lá, só sei que subi pro quarto era umas 20:30 e toda a família lá me esperando, foi quando o Ednaldo arrasado me disse que o Pedro estava na UTI e que o horário de visita era só até as 21:00. Já não dava mais tempo de eu subir para vê-lo.

A janta chegou, família foi embora e quando foi umas 23:30 ligaram no quarto, era uma enfermeira dizendo que eu poderia subir para ver o Pedro.

A realidade era bem outra do que o médico havia me dito no centro cirúrgico.
Em resumo, Pedro sofreu insuficiência de oxigênio no cérebro, teria que ficar na UTI em tratamento e então, poderiam ficar sequelas, poderia ter uma paralisia cerebral… mas eu só teria alguma informação depois que ele acordasse (SE ele acordasse).
Ele ficaria em procedimento de hipotermia, sedado por 72 horas com a temperatura do corpo baixa (eu colocava a mão nele e ele estava gelado), para preservar o sistema neurológico e os médicos terem tempo para avaliar os sinais vitais dele e só depois disso, os médicos poderiam me falar alguma coisa.

E assim, conto no próximo post sobre os longos dias na UTI.

Os encantos e desencantos da gestação

Gravidez…

Tá aí, uma situação que eu fugi, fugi e acabei sendo surpreendida.
Eu nunca esperei pelo glamour da maternidade, nunca acreditei naquela coisa que aparece em capa de revistas, tudo lindo e maravilhoso, a mulher sempre sorridente alisando a barriga…

 
Na primeira semana em que eu descobri a gravidez, minha sogra tava fazendo farofa com linguiça. Eu estava extremamente incomodada e não sabia porque, foi quando a Lucia me chamou pra ir ao mercado.
Que alívio sair daquela cozinha!! O cheiro que antes seria uma delicia, se tornou algo insuportável.
No mercado ao passar pela sessão de carnes, um show de horror. A impressão que eu tinha era que a carne tava estragada!
Bife? Nem pensar!!! O Ednaldo ia preparar a janta e eu ficava trancada no quarto.
Mas o cheiro não pede licença né?

Detestei o nariz de cachorro…
O cheiro de tudo fica mais apurado!
Outra coisa que eu não suportava era quando o Ednaldo saía do banho e vinha aquele cheiro de sabonete!! Pra mim todos fediam!
Até que ele se irritou e falou: -Só fatava você falar que não é pra eu tomar banho sem sabonete!!

Sim, minha vontade era que fosse assim. ahahahahahahahhahahaa mas essa vontade ele não fez não.

E fazer xixi em banheiro público?
Normalmente já é um porre, você segura a calça pra não encostar no chão e na privada, aquele cabelo caindo na cara, bolsa atrapalhando, aquela barriga imensa pra te ajudar ainda mais.

Levantar da cama sem parecer uma tartaruga com o casco virado pra baixo também é algo impossível.
Daí você joga as pernas pro alto para pegar impulso e aí então fica fazendo gangorra até conseguir sentar.
Andar por muito tempo tambem começa a ficar complicado, sentia muitas dores embaixo da barriga.

No finalzinho da gravidez… os inchaços.
Pés inchados, nariz inchado, uma coisa bizarra que eu nunca tinha ouvido falar, mas eu vou falar… ahahahahaha
Até a periquita incha gente, é um negócio muuuuito bizarro.

O humor também é uma coisa que tipo…
Pode considerar uma mulher grávida, 9 meses na TPM!

Maaaaas, tem a parte boa também.
Eu não podia sentir o cheiro de carne mas em compensação sentia muita vontade de comer frutas e salada!
Hahahahahahahhaha era bizarro, eu acordava de madrugada pra comer salada!
Qual a parte boa nisso??
Eu emagreci na minha gestação, na minha última consulta eu estava com o mesmo peso de quando comecei o pre-natal.
Quanto eu pesava?
Há, não interessa! kkkkkkkkk

Furar fila também faz parte do lado bom
Hmmmm, e a sensaçao do bebê mexendo na sua barriga que é indescritível, a melhor de todas as partes boas da gravidez!

Ah! Minha pele e meu cabelo também ficaram assim… Uma beleza! Pele de pêssego e os cabelos fortes e brilhantes (que depois que o bebê nasce, cai aos montes e por um momento achei que ficaria careca)

Como podem ver a minha lista, o lado negativo da coisa é bem maior né?
Não, não é fácil e ainda dizem que a mulher é o sexo frágil!

Já ouvi mulheres dizerem que a gestação foi tipo capa de revista, não sentiram nada de ruim. Que sorte a delas!!! Rs

E em meio a tudo isso, ainda tem a pressão sobre que tipo de parto eu quero…
Mas esse é um assunto para um outro dia!!!

E viva o glamour da maternidadeeeee!!!