O dia em que o Pedro foi para a creche

Eu fiz a inscrição do Pedro na creche da Prefeitura, quando ele tinha cerca de 2 ou 3 meses (não me recordo).
Ao mesmo tempo, fui pesquisando as escolinhas particulares, pois até então eu ainda não tinha tomado a decisão de ficar em casa em tempo integral com o Pedro, a creche teria que ser próximo a casa da minha sogra e cunhada, para ter quem socorresse em uma emergência.
Mas daí eu optei por ficar em casa e nem lembrava mais da inscrição na creche, aliás, nunca esperei ser chamada, já que o que eu mais ouço é que vagas nas creches da Prefeituras são dificílimas de conseguir.

Pois bem, o tempo foi passando, eu decidi que ficaria em casa com o Pedro e quando foi o mês de Novembro, me ligaram da creche dizendo que a vaga dele tinha saído!
Para mim foi uma surpresa, já que eu nem lembrava mais da inscrição.
De primeiro momento eu disse que abriria mão da vaga, pois eu havia deixado de trabalhar para cuidar dele.

Foi quando me disseram que de qualquer forma eu teria que ir a creche para cancelar a matrícula, mas que eles segurariam a vaga até o dia seguinte para eu pensar.
Quando contei pro Ednaldo, ele disse: -Ai que bom!!!
Eu: -Mas eu tô em casa, não tem o porque ele ir pra creche!
E o pai disse: -Vai sim!!!
creche01Fiquei super nervosa, chorei, kkkkkkkkkk, poxa, estávamos grudados há 1 ano, como assim ele ia pra creche?
Daí eu com o coração na mão, repensei…
Repensei que seria bom pra ele conviver com outras crianças, desgrudar um pouco de mim, que esse sofrimento era mais meu do que dele.
Então no dia seguinte eu liguei e disse que ficaria com a vaga, agendamos um dia para a matrícula e eu corri para ter toda a papelada em mãos.

Então no dia e horário marcado eu fui até a creche.
Não vou ser hipócrita e confesso que eu tinha sim, preconceito em relação a creche, por ser da Prefeitura.
Mas ao chegar lá e a Mel me apresentou toda a creche, explicou como funcionava… gente, pra variar, mordi a língua e fiquei encantada com os cuidados, a organização e limpeza.
Não pensei duas vezes e efetivei a matrícula do Pedro.

Saí de lá feliz e confiante, aquele stress que eu estava sentindo, passou!
Daí, depois era aguentar os olhares de reprovação e os comentários: -Nossa, tão novinho e você vai ter coragem de mandá-lo pra creche?
-Nossa! Mas você não parou de trabalhar pra ficar com ele?
-Ai tadinho, tão novinho… vai ficar doente toda hora!
E muitos outros comentários e palpites desnecessários.

É minha gente, a partir do momento que a gente se torna mãe, além de tantas coisas que temos que aprender, temos que lidar com os palpites alheios, os olhares de reprovação.
Tem que colocar na cabeça que se é o que você acha que é o melhor pra você e seu filho, dane-se os palpites alheios.
Não é fácil.

crecheE chegou o grande dia!!!
Quando eu entrei na sala de aula, vi uma mãe se acabando de chorar, daí eu não me aguentei… chorei disfarçadamente. kkkkkkkk
Ficamos eu e o Ednaldo com ele cerca de meia hora, até que foram para o refeitório e então a professora pediu que saíssemos aos poucos.

Deixamos o Pedro na creche, o Ednaldo tinha tirado o dia de folga…
Olhamos um pra cara do outro e falamos: E agora??
Kkkkkkkkkkkk era a primeira vez que ficávamos sem o Pedro.
Então fomos pra padaria tomar um café, depois fomos ao mercado, depois fomos pro Shopping, até que tivemos a idéia: Vamos pro motel???

Gente, que infeliz idéia nós tivemos, pois já era tarde, era quase meio dia!!!
Fomos todos felizes pro motel, quando foi 13:30, me ligaram da creche: Para buscar o Pedro pois ele chorava muito.
kkkkkkkkkkkkkk, é rir pra não chorar minha gente.
E foi isso.

Não me arrependo nunca de colocá-lo na creche mesmo eu tendo deixado de trabalhar.
No próximo post eu falo sobre a creche, como foi a adaptação e o desenvolvimento do Pedro, enfim…

Até a próxima!

 

Um livro chamado “Éramos Dois”?

Tantas pessoas me pediram para eu criar este blog…
Sei lá, muitos dizem que sou comunicativa, divertida, gostam do que eu escrevo.
Pelo menos é o que dizem pra mim nas redes sociais.

Eis que recebi uma ‘mini proposta’, para pensar com carinho, na possibilidade de escrever um livro.
Pirei na idéia.
Uma autobiografia talvez?
HAHAHAHAHAHAHA, será que rola?
Quem me acompanha???

Histórias não me faltam, de todos os tipos, tanto boas como ruins.
Levando em consideração o meu blog que em 3 meses, com 20 posts estão com quase 4000 acessos, pode parecer pouco, mas pra mim tem muito significado

Um dos motivos que mais me incentivam a escrever esse livro, é principalmente a história de superação minha, do Ednaldo e do Pedro, quando o Pedro nasceu.
Suportar os 24 dias de UTI sem saber se ele ia sobreviver, se ficariam sequelas, recebendo o imenso carinho de tanta gente…

Todos me perguntam sempre, a mesma coisa: Como você conseguiu ser tão forte?
A força vem gente, acreditem!!!

É isso, um projeto que vai levar um bom tempo, que eu vou tratar com muito carinho e estou muito empolgada com ele!!!

Quem aqui me apoia? Heim?

Beijos

Maternidade em tempo integral

Oi gente!!!
Tá difícil a atualização com mais frequência, minha vida tá de cabeça pra baixo, uma correria sem fim!
2015 horroroso que não acaba nunca né? Quando a gente acha que não tem mais o que acontecer de ruim, ainda acontece! Ave maria!

Mas vamos lá, hoje vamos falar do dia em que eu tomei a decisão mais importante e difícil da minha vida.

E aí lá vem mais uma da série: Pagando a língua.
Porque pagando a língua?
Porque eu sempre achei um absurdo uma mulher deixar sua independência de lado, sua vida profissional, para ficar em casa cuidando de filhos.
Pra mim isso não fazia sentido nenhum.
Claro que não, afinal de contas, eu não tinha filhos né?

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Até que Pedro chegou com todas aquelas complicações que eu já contei aqui pra vocês.
Foi quando nas consultas ao neurologista e neurocirurgião, ambos solicitaram que o Pedro fizesse fisioterapia.
Aparentemente ele não tinha nada, seria mais preventivo, para observarmos o desenvolvimento dele, se depois de tudo, ficaria alguma sequela ou não e até mesmo para caso aconteça futuramente de aparecer uma sequela, não dizer: Se tivesse feito fisioterapia, isso não teria acontecido.

Enfim, minha licença maternidade terminaria em Abril de 2014.

IMG_0416Pedro começou sua fisioterapia em Fevereiro, daí eram consultas com pediatra, neurologista, neurocirurgião, exames, medicamentos controlados…
O tempo foi passando, eu precisava acompanhar de perto tudo isso, não podia terceirizar uma responsabilidade como essa depois de tudo que tinha acontecido.

Marido tinha acabado de mudar de emprego, em uma condição legal, que daria para segurar a onda sozinho, foi quando sentamos e conversamos em como proceder com o Pedro.

Creche? (Fiz a matrícula em Fevereiro e tinha que esperar sair vaga), escolinha particular, avó, o que faríamos?
Foi quando eu perguntei se ele realmente conseguiria segurar a onda sozinho, ele disse que sim.
Então, eu disse que deixaria de trabalhar para ficar com o Pedro.
Se Pedro tivesse nascido sem problema algum no parto, ou ia pra escolinha ou ficaria com a avó, ou os dois.
Mas naquele momento ele ainda precisava dos meus cuidados, precisava de inúmeras observações que não deveriam ser passada para terceiros naquele momento.

Iphone 1820Pra mim foi bem difícil tomar essa decisão, pois nunca passou pela minha cabeça ficar dependendo financeiramente de alguém.
Deixar minha vida profissional de lado, afinal de contas, eu estava em uma empresa que eu gostava muito, trabalhava com pessoas bacanas.
No primeiro momento, eles me deram  mais um mês, para que eu pudesse amamentar o Pedro até os 6 meses, pois a amamentação era importante para ele, pois o movimento de sucção do seio, era uma forma dele se exercitar, podia dizer que fazia parte da fisioterapia.
Porém não foi o suficiente, até que chegou o dia de eu conversar definitivamente com o chefe.

ChefeGente como foi difícil.
Eu tinha todo um discurso pra falar, Edu foi um chefe extraordinário, costumo dizer até que chefe como ele, eu não encontro mais em lugar nenhum!
E nem vem me chamar de puxa saco, porque puxar saco não faz meu gênero, e a essa altura do campeonato, ia puxar o saco pra que? kkkkkkkk
Mas a única coisa que eu consegui falar na hora foi: -Edu, eu não volto mais pra empresa.
Ele não esperava, já tinha até planos e projetos para o meu retorno, ele ainda sugeriu algumas alternativas, mas não seria justo também com a empresa.
Quando saí da sala dele, que fui me despedir do pessoal… foi um choque.
Ninguém esperava!

Aquele dia, fui a empresa com o Pedro, enquanto eu falava com o chefe ele ficou com o pessoal.
Peguei o Pedro e saí de lá triste, mas quando entrei no carro, foi que a ficha caiu, embora eu tenha tomado essa decisão há uns 2 meses antes.
As lágrimas começaram a cair, um filme começou a passar na minha cabeça, da minha trajetória profissional, por tudo que eu já tinha vivido desde quando comecei a trabalhar.
A partir daquele momento era definitivo, eu não tinha mais um emprego… era então, mãe em tempo integral.

Muita gente (principalmente familiares), me olharam torto, acharam um absurdo, ao mesmo tempo tive apoio de muita gente, principalmente dos amigos… Ahhhh os amigos…

IMG_3452Se eu me arrependo?
Jamais!!! Pois eu pude acompanhar bem de perto o desenvolvimento do Pedro, coisa que se eu estivesse trabalhando, nunca que eu conseguiria acompanhar.
Acompanharia somente por relatórios.
Nesse meio tempo ele conseguiu uma vaga na creche, (assunto para um próximo post), é impressionante, mas para quem quase teve uma paralisia cerebral, hoje com 1 ano e 10 meses, não apresentou UMA sequela!!!

Foi um ano de fisioterapia, a Nara vinha mas ele não deixava ela fazer nada, kkkkkkkkkk
Mas as sessões de fisioterapia com a Nara foram imprescindíveis, até que o neurologista falou: -Pode parar com a fisioterapia, porque esse cara aqui tá melhor que eu!!! Esse cara aqui tem o corpo fechado!

Uma grande e velha amiga minha, a Jana, veio em casa há algumas semanas e ela é fisioterapeuta.
Ela tava impressionada, pois como fisioterapeuta, sabia que o que ele passou no nascimento era gravíssimo e ela ainda me disse que cuidou de crianças que teve o mesmo problema que o Pedro e que ficou coisa mínima de sequela, quase imperceptível, mas ficou, e que o Pedro não tinha NADA, era como se não tivesse passado por nada daquilo.

Um exemplo está aí neste vídeo, sim, ele demorou para andar, mas os médicos disseram que não era nenhum atraso motor.
Mas ele engatinhava muito rápido e com muita segurança, portanto, andar pra ele não era interessante.
Ele deu seus primeiros passos sozinho com 1 ano e 5 meses!


IMG_1035Então assim, não foi fácil deixar tudo pra trás, mas ao mesmo tempo, não tem dinheiro que pague essa recuperação do Pedro.
Se eu continuasse trabalhando, poderia ter desenvolvido do mesmo jeito, sim, poderia… mas não me arrependo em momento nenhum por ter feito isso.
Se ele vai reconhecer isso futuramente? Não sei, pode ser que sim, pode ser que não, mas não importa.
Fiz o que o meu coração mandou, vejo que foi a melhor coisa que eu fiz!
E agora tá aí o meu sequeladinho, cada dia com uma novidade, fazendo muita arte, muita mal criação, enchendo papai e mamãe de orgulho e alegria!

Brincadeira de criança e a tecnologia

151Gente, vejo muita gente postando e compartilhando (na maioria dos casos, de pessoas que não tem filhos), sobre os absurdos em deixar uma criança no tablet, porque na nossa época era assim, na nossa época era assado, porque criança tem que jogar bola, andar de bicicleta, brincar de esconde esconde, como na nossa época.
Ok, na nossa época brincávamos na rua até tarde, que fosse de bola, boneca, pega pega, esconde esconde, paredão, taco, andar de bicicleta ou simplesmente ficar na rua.

Agora pergunto eu: Alguém aqui tem coragem de deixar seus filhos na rua brincando como na nossa época? Hã?
Na nossa época, também queríamos ficar direto no videogame… mas minha mãe me mandava pra rua! ahahahahaha

A diferença é que hoje ninguém mais deixa as crianças nas ruas, os tempos são outros.
Não só em função da tecnologia, mas pela falta de segurança!
Outra coisa, não temos como fugir dessa coisa da tecnologia!

Heloooow!! Não são só as crianças.
Lembram quando não existiam smartphones? O tempo em que ficávamos com nossos amigos, em um restaurante por exemplo, realmente conversando, olho no olho, rindo, sem se preocupar em tirar fotos para postar, sair daquela roda de amigos, para dar atenção aos amigos nas redes sociais por exemplo… não existia, certo?

RestauranteEm casa, não damos o tablet ou o celular para o Pedro.
Em casa ele tem brinquedos, televisão, a casa (não muito grande), para explorar.
Pra sair pra comer por exemplo, levamos o tablet e quando esquecemos, damos o celular!
A gente coloca na Peppa e pronto, podemos comer tranquilamente (as vezes não), sem ter que ficar correndo atrás pelo restaurante, ou brigando porque ele está pegando tudo que está a sua frente.
Entendam que restaurante é uma coisa muuuuuuuuuuito chata para eles.

Aos finais de semana é preciso fazer programas para crianças também.
Por exemplo, em São Paulo, existem alguns espaços para bebês!

Pago

 

 

Diverbrás no Shopping Center Norte, é um playland para bebês.
O espaço é todo macio, para a criança não se machucar, temos que entrar com meias, tudo bem colorido e próprio para eles brincarem sem se machucar.
Para quem quiser algo diferente, tem também o Quintal da Vovó, um espaço enorme com brinquedos, bichinhos, atividades para as crianças se distrairem.

 

 

Gratuito

 

 

Tá sem dinheiro? Tem o SESC!!! É de graça e alguns SESC’s tem o espaço para as crianças brincarem!
Pedro adora! É de graça, o local espaçoso, com brinquedos, fantoches, livros…
Está calor? Adoramos ir no CERET! Pedro também adora.
Brinca na terra, corre, come terra, brinca no bebedouro, no balanço…

Opções é o que não faltam.
Não dá pra generalizar, ao longo do tempo também aprendi que cada criança é de um jeito, independente da criação.

 

Aqui em casa é assim, (por enquanto, futuramente pode mudar né?), para tirar da TV ou celular, temos que mostrar outra coisa mais atrativa pra ele se distrair, se ele está de barriga cheia, com certeza sentado olhando a gente comer que ele não vai ficar né?

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Lembro-me no dia em que tiramos esta foto, depois de muita agitação do Pedro, saquei o tablet da mochila e então Pedro era outra criança.
Minha prima virou pra mim e falou: -Tablet é vida né?
Sim… tablet é vida!
Então, caso você (principalmente se não tem filhos), não julgue quando ver uma criança no celular ou tablet no restaurante.

 

 

 

IMG_9918Aqueles giz de cera e a folhinha para desenhar, nem sempre funcionam.
Se funcionam, é temporário, acaba rápido a empolgação.
Já julguei muito e como sempre, pagamos a língua.
Afinal de contas, por trás daquele casal que está ali sentado com seu bebê no tablet, tem pais cansados, pode ser que tenham passado a noite em claro por causa de uma febre daquela criança, que estão há meses planejando sair para jantar fora e não tem com quem deixar o bebê, não se sabe há quanto tempo não sentam os dois juntos para uma refeição quentinha… ninguém sabe o que está por trás de tudo aquilo.
Então, como dizem, se está no inferno, abraça o capeta!
Já que não podemos ir contra a tecnologia, vamos aproveitar e usar ao nosso favor.
Tudo porque, nós também precisamos de um tempo para comer, respirar, descansar e seja lá o que for e sim…
A tecnologia nos favorece!

UTI – Parte V (últimaaaaa)! – A tão esperada alta

Duas semanas depois, aqui estou eu.
Dei uma sumida, pois a semana passada foi um tanto quanto triste para mim e para a minha família, já que na mesma semana perdemos 2 entes queridíssimos e precisei viajar as pressas.

Aquela situação: Difícil de entender, difícil de aceitar, embora todos digam que lá na frente teremos uma explicação para isso.

Finalmente chegou o tão esperado dia da alta hospitalar do Pedro.
Uma alta extremamente conturbada, kkkkkkkk, era esperado mas não era.
No dia seguinte aos exames, os resultados sairiam, consequentemente, a alta seria na quarta feira!!! Uhuuuuu!!!
Avisamos só a Lúcia (minha cunhada), pois ficaríamos na casa dela, mais ninguém, queríamos fazer surpresa pra minha sogra.

Os resultados saíram e me informaram que o neuro pediatra queria conversar comigo e que eu fosse lá para a UTI as 10:30 para falar com o médico.
Puta merda!!! O que foi dessa vez?
Não disse nada com nada claramente, ele se limitou a dizer que encontrou uma anomalia no resultado da ressonância magnética que ele ainda não tinha certeza o que era, mas que estava encaminhando tudo para o neuro cirurgião.
Mas para que eu ficasse tranquila.
Porra!!! Como assim???
Agora o outro tormento: QUANDO o neuro cirurgião iria até lá???
Fui embora frustrada, pois já sabia que no dia seguinte, não sairia a alta do Pedro.

No dia seguinte, fui cedinho como de costume e a enfermeira me pediu que eu estivesse lá ás 15:30, pois o neuro cirurgião estaria lá naquele horário para falar comigo.
Ok, fui ás 15:00 para amamentar e lá fiquei aguardando pelo médico.
Deu 16:00, o Ednaldo chegou para visitar o Pedro e ficou lá comigo, aguardando pelo médico.
17:00, 18:00 e nada!!! As 18:00 o Ednaldo saiu da sala (pois era o horário da amamentação) e aproveitou pra comer alguma coisa, as 19:00 ele voltou e nada do médico.

papai
Daí ele ficou lá aguardando e eu saí para jantar.
19:30, 20:00 e nadaaaaaaa!!!
Toda hora a enfermeira vinha me dizer: -Calma que ele está a caminho.
Quando deu 20:30 ela me disse: -O celular dele está caindo direto na caixa postal, mas ele disse que estava a caminho.
Quando deu 20:50, eu me stressei, estava dando a hora de amamentar de novo, o Ednaldo teria que sair da sala e nada do médico chegar.
Em 23 dias de UTI, aquela tinha sido a primeira vez que eu tinha perdido a cabeça.
Chamei a enfermeira e perguntei né, se ele viria mesmo, afinal de contas, eu estava esperando ele chegar desde as 15:30!!!
E ela toda delicada me respondeu: -Ele disse que está vindo…
Eu perguntei um tanto quanto alterada: -Tá vindo montado num jegue? Já são 21:00 e eu estou aguardando desde as 15:30!!!
E ela na maior paciência e educação me respondeu: -Vou tentar ligar mais uma vez, se ele não me atender, você vai pra casa descansar…

E ela saiu e voltou em seguida: -Ele chegou!!!
Poooooooorra!! Finalmente, mas justamente na hora em que ele chegou, o Ednaldo teve que sair pois era o horário da amamentação, consequentemente não conversou com o médico.

Esperei todo esse tempo, nisso ele chegou e foi lá mostrar os exames do Pedro para os médicos de plantão e nisso formou uma roda, entre médicos e enfermeiras.
Pensei: -Fudeu!!
Ednaldo assistindo do lado de fora, pensando a mesma coisa. (Depois eu soube pela enfermeira que eu dei um coice, que na verdade ele estava dando uma aula para eles, baseado nos exames do Pedro)
E finalmente ele veio conversar comigo.

Dr Sergio Cavalheiros, um médico do caralho!!! Sentou ao meu lado (Pedro estava mamando), examinou o Pedro, deu uns croques na cabecinha dele, mediu o tamanho da cabeça, colocou o estetoscópio na cabeça…
Disse que estava tudo dentro das normalidades, então ele veio me explicar o que o Pedro tinha.

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Ele me disse que Pedro tinha uma “Fístula Dural Artério Venosa”.
Sim, ele percebeu a minha cara de chuchu e explicou o que era na minha lingua!
Disse que Pedro veio com um defeitinho de fábrica, que se ele não tivesse ficado na UTI e não tivesse feito a ressonância, ficaríamos sem saber desse diagnóstico, mas que futuramente de repente jogando futebol, ele poderia sofrer um AVC por exemplo.
Ele me explicou tinha uma artéria que estava se comunicando com uma veia, e isso não poderia acontecer.
Então ele disse que a cirurgia era simples, via cateterismo, ele ia apenas “jogar uma colinha” para que essa comunicação se fechasse! Mas que eu não pensasse nisso por ora, pois a cirurgia seria feita somente depois que ele completasse 1 ano e que ficaria ao meu critério, fazer a cirurgia com ele ou não.
Minha primeira pergunta: -Dr… o Sr aceita convênio?
E ele na maior tranquilidade e sorriso no rosto me respondeu: -Mãe, fica tranquila! Se você ligar no consultório, vão dizer que não, mas a gente  aceita tudo!!!
Pensa num alívio
Então ele me disse: -Por mim esse guerreiro já está de alta!!! Agora é só falar com os pediatras!

Saímos do hospital era umas 22:30, felizes da vida!!!
Mas eu sinceramente não esperava a alta para o dia seguinte. Ainda dependia de pediatra e tal, e já eram 22:30 né???

A primeira pessoa da família a pegar o Pedro no colo
No dia seguinte, nada de falarem em termos alta.
Eu já estava conformada que sairia só na sexta feira!
Foi quando deu 11:00 a Pediatra veio falar comigo e dizer que Pedro teria alta naquele dia!
A pediatra pediu que eu estivesse na UTI ás 12:30 para irmos embora!
Foi tudo muito corrido, fomos praticamente expulsos do hospital.

 

 

 

 

Conhecendo os padrinhos

Ao mesmo tempo que eu estava feliz, entrei em desespero.
Corri comprar chocolates para as mães da salinha da UTI, chocolates para os médicos e enfermeiras, escrever a minha cartinha da minha trajetória para deixar na pasta lá da salinha das mães.
Foi tudo muito corrido, não consegui me despedir pessoalmente das colegas de UTI, das enfermeiras da ala 1 que cuidaram do Pedro por tanto tempo, dos médicos…

Conhecendo os primos
As 12:30 o Ednaldo chegou e lá ficamos, prontos para sairmos.
Pedro ainda tomou vacina antes de sair, sei que era troca de horário de almoço das enfermeiras, eram 2 bebês para saírem na mesma hora, foi um caos.
Só sei que eram 14:00 em ponto quando saímos do hospital.
A correria foi tanta que as enfermeiras esqueceram de me entregar os remédios dele, estava na hora de tomar e por serem controlados, não dava pra comprar na farmácia!!! kkkkkkkkkkkkk
Pensa num desespero!!!
Maridou deixou a gente em casa e voltou pro hospital para buscar o remédio.

 

titiosChegamos em casa, quando abrimos a porta da sala, minha sogra quase caiu dura!
Ahhhhhhhhhhhh, daí era só alegria!!!

A noite os tios chegaram, os futuros padrinhos (que até então nem nós sabíamos que ele seriam os padrinhos) perguntaram se podiam ir até lá para conhecer o Pedro…

Enfim, as fotos dizem tudo né???
Acabou a minha trajetória na UTI, não foi fácil…

Fica para um próximo post, sobre as minhas observações, o que eu passei de fato, o que eu senti, o apoio que eu tive dos amigos e familiares…

 

 

UTI Parte IV – Rumo a alta!!!

É gente…

E depois de 17 dias do Pedro na UTI, todo aquele perrengue, ele já ficava acordado o suficiente (ainda sonolento por conta da medicação para a convulsão), estava mamando no peito e tomando na mamadeira também (além do peito, eram 125ml na mamadeira)… estava já acostumada a aquela rotina da UTI.
Um belo dia, uma das enfermeiras fofas pediu para que eu levasse um macacão RN e um macacão tamanho P, para ver qual serviria nele, pois logo ele sairia da incubadora para o bercinho e ficaria vestido.

Sabe que, isso para muitas ali causou muitas expectativas, ir para o bercinho significava muito!! Cada dia era uma na salinha das mães, feliz e saltitante porque o filho estava finalmente saindo da incubadora.
Eu fiquei tranquila, não tinha me ligado que além de sair da incubadora, isso significaria ele ser promovido, ele iria para uma outra ala na UTI, já não era considerado caso gravíssimo.

E foi no 17º dia, que cheguei lá para ver meu filho e vi uma movimentação…
Pedro já estava de roupa, tinha uma colega ali que também estava feliz da vida e ela mesmo veio me falar: -Nós vamos sair daqui!!!

Pedro estava sendo promovido para a ala 8, era a unidade semi-intensiva! A última ala!!!
Foi tudo muito rápido, eu nem sabia que ele mudaria de ala, ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz, eu fiquei chateada…
Afinal de contas, eram 17 dias tendo contato com as mesmas enfermeiras, criamos laços, eu via que elas também tinham um carinho especial pelo Pedro.
Os pediatras também seriam outros que o acompanhariam dali em diante.
Fiquei chateada, acreditam?
Pra ser sincera, fiquei até meio perdida!!! Eles que me acompanharam nos momentos mais difíceis, como assim eu ia sair de lá e continuar lá, sem essas pessoas que eu tanto me apeguei???
Retardada master eu né?? kkkkkkkkkkk, mas foi isso que eu senti.

E lá fomos, para a ala 8…
Pedro devidamente vestido, enrolado no cobertor…

 

 

 

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Também comecei a ficar preocupada, pois ele estava dormindo demais, mais que o normal e logo pensei: -Ai meu Deus, vai voltar pra ala 1? Vão ter que testar os medicamentos de novo???
E a enfermeira me tranquilizou, disse que era normal, pois agora ele estava com roupa, quentinho, enrolado na coberta, então iria dormir mais mesmo.
HAHAHAHAHAHAHAHA, que susto!!!

Foi nesse dia, que eu cheguei para amamentá-lo e ele já estava aos berros.
Amamentava a cada 3 horas, mas a enfermeira me disse que com 2 horas, 2 horas e meia ele já estava chorando de fome.
Foi quando, com muito cuidado, ela me perguntou: -E se der uma chupeta?
Eu: -E vocês dão chupeta?? Eu sempre ouvi dizer que no hospital vocês não dão nem mamadeira e nem chupeta!
Na UTI tudo muda… as enfermeiras se viram nos 30.
Daí ela me disse: -Ah, tem casos que a pediatra libera.
Eu: -Ahhhhhhhh, por mim pode dar heim! Não precisa ficar preocupada se eu vou ficar brava não, pois lá em casa já tem uma chupeta pra ele!
HAHAHAHAHAHAHAHA, rapidinho apareceu uma chupeta devidamente esterilizada e as enfermeiras poderiam ficar mais tranquilas.

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Foi lá que eu vi o Pedro tomando banho pela primeira vez.
Ele já estava com 19 dias de vida quando eu assisti o seu banho.
Pensa num moleque bravo (1 ano e quase 9 meses se passaram e nada mudou), chorou aos montes.
Olhando a enfermeira dando banho, parece tão simples né???

Foi ali na ala 8 também que um dia eu cheguei e tinha um pedaço de gaze com esparadrapo colado no berço.
O que seria aquilo???
A enfermeira: -Caiu o (não lembro o nome que ela me disse) e eu coloquei no esparadrapo caso você queira guardar.
Eu: -O que é isso???
Enfermeira: -O umbigo!!
Eu, mãe muito sensível: -Ahhh, pode jogar fora!! Vou fazer o que com isso???
kkkkkkkkkk gente, joguei no lixo, tanta coisa pra guardar, não ia guardar um pedaço do umbigo!!!

Foi nesse dia também que o médico havia me avisou que na manhã seguinte ele faria uma ressonância magnética.
Pelo que eu entendi, é um procedimento padrão antes da alta, para certificar que tudo está OK com o bebê.
Pedro estava em jejum, feliz da vida (chorando horrores de fome e a gente enganando ele com a chupeta), a ambulância estava marcada para chegar ás 09:30 ou 10:00, nem lembro, e nada da ambulância chegar (o exame seria feito no laboratório no Santa Joana)
Daí o Dr Allan, perto das 11:00 veio me dizer que haviam mandado uma ambulância errada, ele pediu ambulância de UTI e mandaram uma comum, mas que ele estava correndo atrás de outra LOGO para não perder o jejum do Pedro.
Ele se esforçou, mas não deu, pois no laboratório não tinha mais horário para o Pedro fazer o exame.
Ahhhhhhhhhh!!! Então vamos lá dar o tetê pro gordo que estava aos berros, coitado.
As colegas de UTI ficaram revoltadas, perguntando se eu não ia fazer nada!!! Que elas fariam um barraco daqueles.
Mas gente… o que eu poderia fazer? Eu vi o próprio médico correndo atrás de uma outra ambulância, mas não tinha mais horário no laboratório, fazer o que? Acontece né?
Isso só esticou a nossa permanência lá na UTI.
Essa foto foi tirada depois que ele mamou, tava peladinho enrolado na manta, pronto pra ir fazer o exame!!!

E chegou o grande dia da ressonância magnética.
3 dias depois…
Pela primeira vez, tanto o Pedro quanto eu, fomos dar um rolê de ambulância!!!
Ele foi sedado e ficou lá na salinha gelada fazendo o exame.
Eu e Dr Allan sentados do lado de fora, aguardando o término do exame.

Ele virou pra mim e falou: -Depois que sair o resultado do exame, vocês podem ir embora, não tem mais o que esse “chatão” fazer na UTI!
Ahhhhhhhhhh Dr!!! “Cejura”???

Acabou o exame, ele já havia acordado da anestesia e chorando horrores de fome.
Na hora de colocá-lo na incubadora, adivinha??? A chupeta caiu no chão. A ÚNICA chupeta!
Dr virou e falou: -Agora ficou bom… vamos embora!

Gente, ele foi se esgoelando do Santa Joana até o Pro Matre!!!
Quem foi com ele atrás na ambulância foi o Dr Allan, eu fui na frente com a enfermeira, ouvindo os berros dele o caminho todo.
Assim que chegamos, que alívio.
O resultado??? No dia seguinte sairia. Uebaaaaaa!!
Estávamos muito perto de sair daquele hospital!

 

UTI Parte III – Pegando o Pedro no colo pela primeira vez e amamentando

Hello pessoas!!!
Desculpem o sumiço, tô aqui correndo atrás da nova “roupa” do Blog, algo mais personalizado, mais a minha cara…

Vamos lá… continuando a minha novela, a saga na UTI.

Passado exatamente uma semana pós alta, depois de todo aquele sofrimento, fiquei nova em folha.
Mas vou falar, o que eu passei eu não desejo pra ninguém!!! Por isso, se alguém quer fazer muito o parto normal, nem vem pedir a minha opinião.
Daí algumas dizem: Se fosse cesária seria muito pior!
Quem me garante???
Enfim… Cada um com a sua escolha, preferência.
Ninguém vai ser mais mãe ou menos mãe, pelo tipo de parto que teve o seu filho.
Eu nem escolha tive!!!

Passados 9 dias na UTI, ele não respirava mais com a ajuda do aparelho.
Conseguia respirar sozinho!!!
Pela primeira vez ouvimos o seu choro!
Sim, quando ele nasceu eu perguntava a toda hora: Porque ele não chora? Ele não vai chorar???
E daí foi todo aquele procedimento, somente no nono dia de vida conseguimos ouvir o seu choro.
Foi um alívio imenso.
Obs: O bigodinho dele consta dia 18, mas esse era o dia em que o bigodinho tinha sido colocado…. já era dia 20.

Depois da alegria de ouvir o seu choro, a enfermeira me presenteou me permitindo que eu pegasse ele no colo pela primeira vez!!!
A pergunta: -Quer pegá-lo colo??
Porraaaaaaaaaa!!! Quer me matar do coração?

Papai e Pedro se conhecendo melhor
Papai e Pedro se conhecendo melhor

E então foi no 13° dia, o Ednaldo escapou do serviço e foi visitar o Pedro no horário da manhã para enfim poder pegá-lo no colo!
Pois desde então, ele não tinha conseguido pegar o Pedro, quando ele chegava o Pedro estava dormindo ou estava rolando algum procedimento.

 

 

Me lembro até hoje, no dia em que o Ednaldo ia pagar o Pedro no colo pela primeira vez, a enfermeira me viu com a câmera e disse: -Vou tirar a sonda e o bigodinho (esparadrapo) pra vocês tirarem a foto, pois já vai ser o dia de trocar mesmo!
E essa era a primeira vez que víamos o rostinho dele por completo, sem sonda, sem tubo, sem esparadrapo….

Gente, essas enfermeiras da Pro Matre são de uma delicadeza, uma dedicação…
Achei muito fofa essa atitude por parte dela! É muito amor envolvido.

No dia seguinte, Pedro tomando seu leite via sonda a todo vapor, quando cheguei para a visita, a enfermeira estava falando com a Pediatra, para ver se dava uma parte do leite na sonda e outra parte no copinho, já para começar a tirar a sonda.
E não é que o Pedro não quis ninguém resolvendo a vida dele e nessa hora, ele mesmo arrancou a sonda?
A Pediatra olhou, riu e falou: -Dá tudo no copinho!!
E tomou tudinho o leite direto no copinho!!! Outro alívio, a sonda para alimentação não seria mais necessária!
Até o sexto dia de vida, eram 20ml de leite na sonda que ele estava tomando, os dias foram passando, foram aumentando a dosagem e no 13° dia de vida, ele tomou 70ml no copinho.

Os dias iam passando, eram só notícias boas, exames feitos diariamente, ainda tinha indícios de convulsão.
Esqueci de mencionar, além de tudo o que aconteceu ele ainda teve convulsão logo que nasceu e aí eram mais medicamentos para cuidar disso.
Mas a cada dia que passava era uma notícia boa, a fisionomia dos médicos e das enfermeiras já tinha mudado da água pro vinho!

E no dia seguinte que ele começou a tomar leite no copinho, o Pediatra virou pra enfermeira e falou: -Deixa a mãe amamentar.
Eu??? Ai que medooooooooo!!!
Geeeeeeeente que sensação mais estranha…
Ele pegou meu peito esquerdo direitinho, mamou muito bem.
As enfermeiras me rodeavam, olhavam  uma para a outra e diziam: -Está mamando!!
Eu vi que elas vibravam, mas até então achei que elas só quisessem me agradar, me deixar feliz sabe, sei lá.
Quando cheguei na casa da minha cunhada a noite, ela me fez mil vezes a mesma pergunta: -Mas ele pegou o seu seio direitinho? Mamou? Tava sugando? Saiu leite?

Mas depois eu fui entender o porque da vibração das enfermeiras e das 1000 perguntas repetidas da minha cunhada.
Geralmente os bebês que sofrem de Hipóxia, não tem força para mamar!!!
Não mamam no peito, mas minha cunhada por exemplo não queria me falar isso, pois não me ajudaria em nada! kkkkkkkkkk
Aliás, o Pedro quando nasceu, o APGAR dele no primeiro minuto de vida foi nota 2 e aos 5 minutos, era nota 4.

O que seria o APGAR? (Clique em APGAR e leia a explicação completa do Wikipedia)
“A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar (1909 – 1974), médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7),com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2.”

Mais uma para comemorarmos!!!
Até então tava tudo indo muito bem!

A amamentação???
Sinceramente, aquela coisa que a mãe vê borboletas em volta enquanto amamenta, tudo lindo e maravilhoso como aparece na revista, não existe viu.
No começo estávamos nos conhecendo, era uma sensação estranha, o peito doía, a gente fica sem posição, os braços começam a doer, daí as enfermeiras vinham com travesseiros para que nos aconchegássemos melhor e tivéssemos um pouco mais de conforto.
Eu achava que, o fato de eu tirar o leite lá no lactário e o bico do meu peito não ter rachado, não ia rachar mais.
Daí a mocoronga aqui parou de passar a pomada milagrosa (Lansinoh).
Pensa num bico ardido que ficou depois que o Pedro começou a mamar….
Não chegou a sangrar, como vi acontecer com muitas, mas ardia, daí comprei o bendito dos copinhos pra por no sutiã, pois o sutiã grudava no peito e era outra dor pra desgrudar.
kkkkkkkkkkk, a primeira vez que eu fui sair de casa com o copinho nos peitos, o Ednaldo olhou pra mim e falou: -Você vai sair desse jeito???
Eu: -Claro!!!
Era ridículo, mas eu só ia para o hospital, era só mais uma naquela situação, nessas horas a gente nem liga se tá feio, muito feio ou horroroso!!!

E é isso gente, conforme os dias foram passando, para a nossa surpresa e também surpresa dos médicos, Pedro só estava evoluindo o seu quadro gravíssimo em que ele se encontrava.
Estava tudo correndo bem, eu sempre estive confiante (não estou falando isso só porque agora está tudo bem viu?), e eu vi que o caminho era esse mesmo!!
Otimismo sempre! Enxergar o lado bom da situação sempre! E estava dando certo!

O próximo post será quando ele saiu da ala 1 da UTI e foi para a semi intensiva!!! Foi promovido direto para a ala 8, a últimaaaa!!!

UTI Parte II – A recuperação pós parto e a expectativa se o Pedro acordaria

Continuando…

O meu tormento começou depois que eu tive alta, devido a falta de repouso.
Sim, meu parto foi normal mas um repouso é preciso né??? Quarentena!
Mas como eu já disse, uma mãe de UTI não consegue sequer ter esse cuidado, pois tem uma pessoinha que apesar de estar sendo muito bem amparado pelos médicos e sua equipe, precisa de nós!!!

E aí que aquele corre corre nos corredores do hospital, ou então sentada “descansando” na sala das mães, fez com que o meu corte gritasse!!
Era uma dor insuportável… uma dor que eu não senti nem mesmo ali na hora do parto.

Pra quem não sabe, ser mãe de UTI não é ficar ali chorando o tempo todo ao lado da encubadora.
Temos horário pra tudo!!! Não me recordo como era exatamente, mas era mais ou menos assim:

09:00 – Horário da primeira ordenha, para o leite “subir” para o seu filho tomar ou então, a hora de ir para UTI amamentar.
10:00 – Horário da visita dos médicos aos bebês para conversar com os pais e horário de visita dos papais também.
11:00 – Horário do almoço
12:00 – Hora da ordenha! (Ordenha a cada 3 horas), ou então ir para a UTI amamentar.
15:00 – Hora da ordenha ou amamentar
16:00 – Horário de visita dos médicos e dos papais.
17:30 – Horário da janta (nem lembro
18:00 – Hora da ordenha ou amamentar
21:00 – Hora da última ordenha.
Quem quisesse ainda podia continuar amamentando ou ordenhando a cada 3 horas depois das 21:00.

Isso porque essa era a minha rotina até eu começar a amamentar o Pedro, depois tinha que me dividir entre ordenhar e amamentar… ficou mais corrido ainda!!!
O lactário ficava no Térreo, junto com a salinha de descanso das mães e a UTI no sexto andar e o refeitório no segundo andar.
Não preciso dizer o quão cansativo era né???

Continuando sobre a minha dor insuportável.
Era muita dor, só sei que chegou a noite eu não conseguia nem andar.
Isso já foi no quarto dia depois do Pedro ter nascido.
Liguei para o meu médico e como eu ainda estava lá na Pro Matre, ele pediu que eu passasse pelo pronto atendimento.
A médica precisava fazer o maldito exame de toque, mas eu chorava desesperadamente para ela nem chegar perto.
Daí meu médico foi claro: -Tem que deixar ela examinar.
Não tinha nada, tava tudo bonitinho, nenhuma infecção, porque eu estava sentindo aquela dor???
Daí soro e tramal na veia!!!
Ah! E uma lista de remédios para comprar.

Cheguei na casa da Lúcia esgotada! (nesse período de internação ficamos hospedados na casa da minha cunhada para ficar menos longe do hospital).
Depois da medicação, só me restou tomar banho e dormir.
No quinto dia do pós parto, fui parar no pronto atendimento de novo e eu percebia que durante o dia eu ficava bem, mas a noite piorava.

remédiosMas eu tinha que levar em consideração que eu estava há 5 dias sem cagar!!!
Não tomei o suco laxativo que o hospital trazia pra mim nas refeições e assim foi indo, pois achei que com o passar do tempo, seria mais fácil, pois eu estava com medo daqueles pontos.
Isso era uma segunda feira a noite. E dá lhe medicação.
Era uma medicação muito forte, tão forte que saí do hospital virando cambalhotas de tão boa que eu fiquei.
Mas no dia seguinte a mesma coisa, liguei pro meu médico e pedi o mesmo remédio da noite anterior, e ele: -Tá louca? Esse remédio só pode tomar duas vezes ao ano!!

Se liguem, além das medicações na veia, a quantidade de remédios que eu tomei por conta do belíssimo pós parto… Parto normal.

Meu, então eu fui ao hospital, sofri feito condenada de dor, andava com dificuldades e a barriga crescendo porque eu não cagava.
O dia foi passando e eu ia só pra ordenhar mesmo, porque a cada visita do médico, eles não tinham muito o que falar, apenas que tínhamos que aguardar ele acordar e que em no máximo dois dias ele TERIA que acordar.
Foi então que eu pensei friamente e tomei uma decisão: Não vou ao hospital amanhã!! Ficarei em casa de repouso, pois quando ele acordar e eu realmente precisar amamentar, eu preciso estar boa!!!

E assim fiquei em casa, o sexto e o sétimo dia.
Nos horários de visita em que o pai podia entrar, o Ednaldo ia e me ligava, foi quando no segundo dia que fiquei em casa, ele me liga chorando: -Mor, ele acordou…
E eu meio que sem entender nada falei: -O que???
Ele: -O neném, abriu o olho pra mim, tava lá acordadinho!!

Gente, que felicidade!!! Vocês não tem noção.
E não é que no dia seguinte, eu já estava melhor? Já conseguia sentar sem muitas dificuldades, depois que tudo passou, analisando friamente, eu mesmo descobri porque eu sentia tanta dor.
Eu ficava segurando pra ir ao banheiro, pois o fato de sentar me fazia sentir dor, mas conforme minha bexiga ia enchendo, mais o intestino, acabava pressionando em algum pontinho meu que tava “pegando”, pois depois que eu ia ao banheiro, a dor diminuía.

No dia seguinte fui ao hospital, mas não vi o Pedro acordado, ainda era muito remédio que ele tomava.
Pois eu até esqueci de mencionar, mas ele teve convulsão ao nascer, então além de todo o procedimento, ele estava a base de medicamento anticonvulsivo.
Mas o que me deixava feliz era que ele estava se alimentando do meu leite por sonda, mas começou no quarto dia (depois do término do procedimento de hipotermia) com 5ml de leite, no quinto dia foi para 10ml e no sexto dia, já estava tomando 20ml de leite.

Nesse meio tempo ele estava entubado, foi extubado, fiquei feliz da vida, mas daí um dia quando cheguei a UTI ele estava entubado novamente pois ainda apresentava dificuldades para respirar.
UTI é teste de resistência e teste cardíaco ao papai e a mamãe viu.

primeira fotoEle ter aberto os olhos já tinha sido mais uma vitória.
Os dias foram passando, no seu nono dia de vida, eu me senti mais á vontade de postar uma foto dele para matar a curiosidade de todos, pois ele estava apenas com a sonda, já não estava mais entubado.

Embora alguns achassem exagero de eu ficar publicando o que acontecia com o Pedro no Facebook, era a forma que eu encontrava de deixar todos cientes, já que eu não estava a todo momento com o celular, era tanta gente mandando orações, energias positivas, então era o mínimo que eu podia fazer né.

Bom… por hoje é isso…
Para o próximo post, só alegrias, evoluções, médicos já com outra fisionomia ao conversar com a gente.
Mas eu vou falar, não é fácil!!!

 

 

 

UTI Parte I – Saindo do hospital sem bebê nos braços e os longos dias na UTI Neonatal

Passado a correria do parto, fui pro quarto, jantei bem gostosinho e fiquei papeando com o marido que estava super abatido.
Eu até então estava super tranquila. Pra mim o Pedro estava apenas cansado como o médico havia me dito.
Mas quando foi umas 23:30, a enfermeira ligou no quarto e disse que eu poderia ir até o sexto andar ver meu filho.

Chegando no sexto andar, uma porta gigante com um interfone.
Sinto coisas só de lembrar do barulho daquela campainha. (Tenho certeza que qualquer mãe que passou por aquela porta da UTI sente coisas só de ouvir a campainha ou lembrar…)

Entrei e me levaram até a ala 1 da UTI Neonatal.
Só pra vocês entenderem, a UTI é dividida por alas, que até então ia de 1 a 8.
A ala 1 ficavam os bebês mais críticos e conforme iram melhorando iram sendo promovidos…

Antes de entrar em qualquer ala, temos todo um procedimento de higienização das mãos e depois passar álcool nas mãos.
O Ednaldo me acompanhou até a porta e de lá eu fui sozinha, ele não quis entrar comigo.
Talvez tenha ficado com medo da minha reação ao ver o Pedro, sei lá.

Assim que cheguei ao bercinho onde estava o Pedro, eu vi um bebê enorme, gordinho, todo entubado, braço furado, pé furado, cheio de fios colados ao corpo, dormindo…
Eu colocava a mão nele e ele estava gelado.
A primeira enfermeira que falou comigo, bem serena e sorrindo, me disse: -Ele é bravo heim…

Acho que fiquei só uns 5 minutos ali, eu não tinha muito o que fazer, a enfermeira também não podia me falar muita coisa e ele estava sedado.

Voltei para o meu quarto e finalmente consegui dormir e descansar (acreditem, eu consegui).
Mesmo vendo meu filho naquela situação, eu consegui me manter centrada, tranquila, os médicos estavam trabalhando e não dependia de mim!

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Pedro e Papai: Força!

No dia seguinte, fui lá pra UTI ver o Pedro e o Dr Allan veio falar comigo.
Disse que o Pedro estava em um procedimento de hipotermia, que teríamos que aguardar as primeiras 72 horas em que ele ficaria sedado, aos poucos eles tirariam a medicação e teriamos que aguardar ele acordar. SE ele acordasse.
E ainda foi bem claro quando me disse que de 7 bebês que passam por este procedimento, UM sai totalmente sem sequelas.

Sobre o tratamento de hipotermia, tirado do site do Hospital São Luiz:

A UTI Neonatal do São Luiz adota, desde 2008, o Protocolo de Hipotermia Neuroprotetora em recém-nascidos com quadros de asfixia moderada ou grave para reduzir chances de sequelas neurológicas, uma das pioneiras nesse tipo de terapêutica no Brasil.
A hipotermia terapêutica é uma técnica utilizada pelos médicos caracterizada pela diminuição da temperatura corpórea do recém-nascido, atingindo níveis em torno de 34ºC. O procedimento diminui o metabolismo cerebral e, com isso, reduz-se um processo iniciado imediatamente após a falta de oxigenação e que leva à morte dos neurônios, ocasionando graves e irreversíveis danos neurológicos.
O tratamento é iniciado em até 6 horas após o nascimento e, enquanto a temperatura corporal é reduzida, há constante monitoramento dos sistemas neurológico e cardiorrespiratório. Segundo a neonatologista Graziela Lopes Del Ben, do Hospital e Maternidade São Luiz, ela é “utilizada e eficaz em casos de asfixia perinatal, mais precisamente nos casos de diminuição no fluxo sanguíneo cerebral e da oxigenação ao nível do sistema nervoso”.

Com o resfriamento, a atividade metabólica também diminui. O cérebro passa a consumir menos oxigênio, os batimentos cardíacos diminuem e o corpo entra numa espécie de hibernação. Como consequência, há uma “atenuação da lesão cerebral e a diminuição, a longo prazo, das sequelas neurológicas”, afirma a médica.

Os resultados benéficos da hipotermia têm sido comprovados em pesquisas. Estudos internacionais comprovam que houve diminuição em 24% do índice de mortalidade em bebês vítimas da asfixia, além da redução de 30% para 19% das sequelas neurológicas aos 18 meses de idade. “

Saí da UTI meio desnorteada, virei pro Ednaldo e falei: -Pedro vai ser esse UM que sai totalmente sem sequelas.
Estávamos meio perdidos, nem sabíamos direito o que conversarmos, eu estava confiante, até cheguei a pesquisar algumas coisas sobre o que houve com o Pedro, mas parei, porque só via desgraça e não era o momento de eu ficar me remoendo com isso.

Meu médico então passou para me ver e disse que havia ido lá ver o Pedro e que a situação dele era bem grave e que tinhamos que orar muito.
Pensa, um médico dizendo que deveríamos orar muito.

E assim foram os meus dias enquanto fiquei internada.
Recebi muitas visitas, mas achei um tanto quanto estranho receber visitas e não ter bebê para mostrar.
A grande maioria surpresos com a minha recuperação super rápida por conta do parto normal.

Fiquei internada 4 dias.
Nos 3 primeiros dias, nós subíamos na UTI mas não tinha o que ser feito a não ser apenas olhar, pois ele estava sedado né??
Um dia antes de eu ter alta, assim que as visitas foram embora no último horário, senti meus peitos inchados, quentes e mega doloridos.
O leite desceu. Chamei a enfermeira que me trouxe 2 luvas com água fresca para colocar dentro do sutiã, e me orientou no dia seguinte, ás 09:00, ir para o lactário para a ordenha.
Isso mesmo gente, kkkkkkkkkkkkkk, ordenha!!!

No dia seguinte pela manhã fui ao lactário onde a enfermeira Marcela me passou todas as orientações, de higiene, como proceder, como usar a máquina de ordenha.
Tudo rigorosamente limpo, para entrar, somente com máscaras, avental, touca….

E lá fui eu tirar leite pela primeira vez.
Sensação estranha, aquela maquininha sugando, o leite espirrando na garrafinha…
Tirei 1 frasquinho de 150ml, só pra começar e aprender a ordenhar.

O lactário é uma coisa de louco.
Um monte de mulheres, na mesma situação, com seus bebês na UTI, com o peito de fora, ordenhando e batendo papo, rindo e falando besteiras.
A situação de todas é muito difícil, cada um encara de um jeito, quem nos visse ali com certeza diriam que eramos insensíveis…
Mas precisávamos dessa descontração, desse momento nosso, algumas choravam, desabafavam.
Era uma apoiando a outra, rindo ou chorando, mas na maioria das vezes, de bom humor para passar boas energias uma a outra.

Perto das 13 horas, recebi alta, mas foi apenas para tirar as coisas do quarto e levar pro carro, pois eu continuei no hospital, aguardando os horários de visitas e também para tirar o leite.
Aguardamos no hospital até ás 21:00 que era o último horário de amamentar, mas nesse horário eu não tirei o leite, fiquei apenas aguardando o horário para falar com o médico.

O silencio era ensurdecedor dentro do carro, entrar no hospital para ter o seu filho e sair de lá SEM o seu filho, é um tanto quanto frustrante. Nem eu e nem o Ednaldo trocamos uma palavra.
Passamos 3 dias recebendo visitas sem poder mostrar nosso filho as pessoas e agora, voltar pra casa sem ele.

Gente, quando eu cheguei em casa, meus peitos pareciam que eram de silicone. ENORMES! LINDOS, porém doloridos ao extremo.
Era muita dor, sem ao menos encostar, então corri para pegar o tira leite que a Lúcia, minha cunhada, havia me dado, mas para o meu desespero, não tinha a garrafinha!
Sei que Ednaldo saiu umas 23:30 pra rua, para achar a garrafinha do tira leite, e eu debaixo do chuveiro, chorando horrores de dor.
Enquanto eu estava no banho, ele chegou e corri sair do banho para a ordenha.
Gente que alívio, eu lembro que tirei o leite, o meu cansaço era tanto, mas tanto que do jeito que eu saí do banho, apenas tirei o leite e já dormi, peladona mesmo. kkkkkkkkkkkk

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E no dia seguinte, a visita do médico seria as 10:00, Pedro estava saindo do procedimento de hipotermia e já estava quentinho, já tinha ido para a incubadora, porém tinhamos que aguardar o efeito da medicação acabar para ele acordar. SE ele fosse acordar né…
Continuava entubado, com fios pelo corpo, pé furado, braço furado… mas pelo menos estava quentinho.

Com ele na incubadora eu já me senti um pouco mais a vontade de começar a tirar fotos.

Como podem observar na foto, Pedro ainda estava sedado, mas já segurava nossos dedos com a mãozinha minúscula.

Engraçado que enquanto eu estava no hospital eu estava super bem.
Mas foi só sair do hospital e os meus problemas do pós parto começaram.
Não fiz repouso devido (mãe de UTI não sabe o que é repousar para se recuperar).
E aí me perguntam: Mas não foi parto normal?
Sim, foi parto normal, porém foi feito a Espisiotomia (o famoso corte na pepeca) e levei pontos na pepeca né???
E aquele anda pra cá, anda pra lá, ficar sentada na poltrona na salinha das mães, e a noite, começou uma dor dos infernos…
Mas isso, fica para o próximo post.
A minha recuperação!

E já adiantando: Muita gente veio me falar que eu tinha que processar o médico por causa desse corte.
Processar nada!!!
Se não fosse o corte, Pedro teria me rasgado toda e talvez nem tivesse ido para a UTI, poderia ter morrido ali mesmo, pois sendo meu filho e do Ednaldo, a cabeça era avantajada… faltou oxigênio com o corte, imagina sem?

Enfim, agora o meu tão sofrido pós parto, fica para  o próximo post.

 

Até onde família é tudo?

Oi gente!!!
Tem mais de uma semana que eu não posto nada!
Eu comecei a escrever sobre os 24 longos dias na UTI com o Pedro, quando ele nasceu, tem muita coisa pra escrever, mas parei…
Hoje fiquei pensando em tudo o que tem acontecido na minha família e nas famílias que me cercam.

Vejo tanta gente postando nas Redes Sociais: Família é tudo

E eu me pergunto: O que seria esse tudo?
Vale lembrar que a grande maioria que eu vejo postando isso, são as mesmas pessoas que me contaram histórias absurdas da própria família de brigas e desentendimentos.

Quando eu costumo dizer que laços sanguíneos não dizem nada, muita gente se ofende.
Mas é que essa hipocrisia, da necessidade de mostrar ao mundo uma perfeição e felicidade que não existe, sinceramente, me irrita! Não gosto!
Uma união, amor e felicidade fake! Que existe somente nas Redes Sociais, ou em rodas de conversa, apenas para ser o “perfeitinho”.

Há umas duas semanas mesmo, vieram me dizer que o Pedro PRECISA de um irmão, que ele PRECISA de alguém para contar.
E precisa ser um irmão???
Quando eu respondi que ele tem os primos, ouvi: -Ahhhhhhhhh, mas primo não é a mesma coisa!!

famc3adliaVerdade, eu tenho uma única irmã que sofre de deficiência de caráter e que na realidade era melhor que eu não tivesse! (Julguem-me, mas é isso mesmo).
Entre outros exemplos de pessoas próximas que tem várias histórias parecidas de irmãos para contar.

Ou seja, primos pra mim são melhores.
Pois quando temos afinidade, viram nossos amigos e irmãos!
Não vou citar nomes para não causar ciumeira… rs

Meus pais, 1 ano e 8 meses se passaram e eles ainda não conhecem  o Pedro.
Porque? Por comprarem uma briga da minha irmã com a minha prima, e no fim das contas, na cabeça deles, a culpa é minha.
Se eu não fico triste? Fico chateada, mas eu garanto que eles tem mais a perder do que eu.
Só lamento por eles, o Pedro está crescendo e ele nem sabe da existência deles.
Já eles, sabem que tem um neto e não tem contato.
Sou bem resolvida nessa questão e não tenho nem vergonha e nem problema nenhum em falar sobre isso.

E aí, agora me deparo com a minha avó debilitada, aos 94 anos, internada, fraca por não comer…
E os filhos, nem aí para fazer companhia a ela no hospital. Optaram por contratar acompanhantes.
Isso porque é só ficar lá sentado ao lado dela, banho, comida, banheiro, tudo os enfermeiros que fazem. É só por uma questão de companhia mesmo.
Ninguém quer ficar.
Vejo meus tios, pai e tia, apenas preocupados com si mesmos.
Pra não ser injusta, vi 2 tios fazendo mesmo as coisas pela minha avó, mas percebe-se que minha avó está bem triste com os filhos e que no meu ver, ela se entregou, desistiu de viver.
Se já está essa briga que ninguém quer nada, apenas para fazer companhia no hospital, fico pensando como será caso ela saia do hospital e realmente precise dos cuidados dos filhos.

Enfim, eu sei que não é só a minha família que é assim torta.
A grande maioria são, não acredito em família perfeita, não existe.
Quanto aos desentendimentos, ás vezes os pais tem responsabilidade nisso sim, mas eu já entendi que mãe quer a todo custo que todos fiquem bem, esse todo custo envolve omissão, egocentrismo, amor, falta de amor, excesso de amor, favoritismo, mas elas querem todos “de bem”, mesmo sabendo que sempre tem um querendo ferrar com o outro.

Na hora que tem festa, todo mundo junto.
Mas agora na hora mais difícil… ninguém quer saber de nada!
Não, não tenho vergonha de falar sobre isso, não estou julgando os que não querem fazer.
Simplesmente tudo isso me faz acreditar mais e mais, que nós temos que escolher a dedo nossos amigos, pois são eles que no fim das contas, nos socorrem na hora em que realmente precisamos.

Se eu sou amarga, rancorosa, fria por conta desse meu texto?
Pode ser, chamem como quiser, mas eu apenas não quero isso pra mim, não quero essas pessoas que não me fazem bem perto de mim.
Dizem que um relacionamento é uma via de duas mãos não é mesmo?
Pois bem…

Tô longe de ser essa pessoa que acha que as pessoas são descartáveis, se não me servem eu dispenso.
Negativo, mas dispenso aquelas que me fizeram mal, já tolerei muita coisa, mas tudo tem um limite, independente se é da família, se é amigo de infância, se conheci ontem na rua.
Aquela conversinha de perdão também me deixa com preguiça…
Eu acho que devemos tratar as pessoas como elas nos tratam. PONTO!

E aí, me perguntam então: O que é família pra mim?
Pra mim, família é isso:

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Família são aqueles que eu escolhi para fazerem parte da minha vida.
Independente dos laços sanguineos!

Lembrem-se: Filhos não são garantias de que seremos bem cuidados por eles na velhice.
Irmãos não são garantias de que serão companhia na vida adulta!

E que venham agora os julgamentos em 3, 2, 1.